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quinta-feira, 13 de março de 2025

O sonho anuncia-se a cada segundo,...

                            Tirado daqui

Escolho um nome,
As pedras não me pesam já que escolho,
Se calhar para sempre,
A capa imóvel do anonimato,....

Desço as escadas de mármore,
E o templo dos novos dias adormece aos meus pés,
No ressoar constante do mesmo rio de cada suspiro,....

O sonho anuncia-se a cada segundo,
Vejo-me adormecido suavemente,
Com uma linha ténue a desembalar-me do real,....

E esta é uma verdade anulada,
Já que me arrasto por entre quem não me vê,
E isso não entristece,....

Ao invés,
De peito cheio sigo chuva dentro 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Cheiros do desejo

 


Em cada expressão,

Do teu sorriso que ja não está lá,

Das mãos que agarram o ar para ainda assim respirarem vida,

A cada trejeito do teu corpo que captei em escrita escura,

Sem sentimento e de respirar difícil,...


Por todas as músicas que vasculham o ar,

Sem que os cheiros do desejo ainda lá estejam,

Por tudo que se perdeu em tempo de não mais voltar,

Obrigado,

Um Obrigado de mil folhas desvirginadas ao vento

quinta-feira, 27 de abril de 2023

perguntas sem sentido

partes do pressuposto da vontade,
de que o desejo tem vontade,
e inconstante,
perguntas,...

cabelo emaranhado ou solto,
nariz decidido ou hesitante,
olhos que abracem ou distanciem,
uma série de questões mais,
e por fim um abraço ou um adeus,...

depois da noite passar inofensiva,
partes ou vais ficar aninhada,
a meus pés



quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Sumiço de um equívoco

 


não quero,
não me sinto bem
a tomar uma coisa,
como verdade
até aos ossos,
o farol de algo que não existe,
a força da denúncia,
da contraposição,
do choro como raiva
pela injustiça,
existe,
nunca vai morrer,...

nem quando o tempo
deixar de o ser,
e o espaço por consequência,
morrer,
nem aí a verdade suprema
vai existir,...

e eu talvez andarei lá,
como sumiço de
um equívoco

terça-feira, 12 de julho de 2022

Tenho de esperar

 Por todos os favores que me fizeste. Aquela luz ligada ao final da noite quando voltava tarde do trabalho. Os cinco tostões,  que na nossa meninice quase tiveram vida, e cresceram connosco. Os tais que tu me emprestaste vezes sem conta, para acertar o tabaco lá na mercearia do bairro. O seres o mais bem falante dos que conheci, e tantas vezes teres completado as minhas ideias, quase sem quereres. Até me lembro da gravata que me emprestaste, e eu fui sacana de nunca mais ta devolver, para o dia do primeiro de muitos casamentos com que desperdicei a vida. Há tanto para te agradecer, e tu, acho eu, do outro lado do mundo sem mandares noticias. Sem dizeres que estás bem. Sem sequer dizeres se voltaste a ficar de bem com a vida. Tenho de esperar, mas não está a ser fácil 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

As vetustas ideias medram



 Eu estou quase a nascer outra vez,

Após tantos sonhos feéricos,

Risos aos rodapés,

E tetos pingados de amor,

Em salas vazias mas com a noção perfeita da autonomia,...


Se realmente nascer outra vez,

Haveria de ser outra vez psicólogo,

E comandante da minha censura,

Para que tudo o que me impuseram,

Quando a censura me quis como infame,

Renascesse com a transparência possível,...


Isso será a lição possível de quando o mundo me quiser de volta,

Como livro lançado pela janela,

E que vá aterrar no óleo viscoso, 

que escorre das gargantas dos fins de tarde da capital da minha vida 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Sonhos, sonhar, sonhado

 


Porque soar aparenta ser diferente de dizer,

E a voz não são sons,

Sentir-vos do lado errado,

Sempre contra mim,

Eu deixo que ecoe em tudo o que faço,

Nas coisas que não ouço,

Até no arrancar de olhos que são as despedidas,...


Porque vejo-vos assim a esperar,

A olhar para o sol porque é lá em cima que está o tempo,

E das vozes nada se espera como se espera,

Do caminho para ambivalencia,

Que será o fim dos tempos,...


Assim neste desenho,

Não me encontrarão,

Enquanto não vos tiver ao meu lado 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Em que nos recomecemos

Dos versos em que te escolhi,
Se te acertei a sorte saberá,
Não sem livros lidos e chorados,
Passeios a menos,
Choros a mais,...

Recuso-me em todos os poemas
que juntos despimos,
Até só restar a verbalidade dos desentendimentos,
Não fazer sentido,
Sim,
Talvez,
E querermo-nos à noite,
Sabendo que amanhã não haverá dia,
Em que nos recomecemos


domingo, 8 de setembro de 2019

Indicações breves

sabemos que ela não gostava de ser
acompanhada enquanto caminhava,
não nos disse porquê,
só que o vento a deixava solitária,
e por isso reconhecia-se
na indisposição momentânea de
abraçar caminhos que não conhecia,....

desconhecemos o que
preferia vestir,
e o que costumava
calçar,
só que respirava,
e que gostava de ler,
quando se lançava sozinha
na noite


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Não me escrevas os olhos

não me escrevas os olhos,
rastreia antes qualquer coisa quando as pupilas me sangrarem,
e em vez de cegar eu sentir todos os poros de uma pele a abrir,
deixando em mim sementes de uma poesia pueril,
onde se puseram muitas mãos a apertar o vazio,
estrangulando a criatividade de insulto que outrora tive,...

se calhar só tenho mesmo os olhos,
a restar para que mande todos ao princípio da estrada,
onde me sinto confortável para decifrar palavras feias de condescendência,
as suficientes,
se calhar,
para ser o bukowski que um dia almejei,...

até lá vou acabar qualquer coisa que aqui tenho,
e depois voltar aos livros esquálidos dos que não cuidam da saúde,
por sentirem o mar a pulsar nas veias,
em vez de sangue invisível e incoerente



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Prantos sem idade

sobram-me noites,
pelo menos as que me fazem acordar cedo num passado,
que não consegue parar o relógio das coisas que
travam os impulsos,...

se sobrarem madrugadas é desenhar este medo,
sim,
estou preso naquela gelada manhã do ano que já me esqueci,
em que recordado de um sorriso que já foi meu,
optei por escrever seguidas deformações de gostos subtis,...

despidas dos cheiros lúgubres de prantos sem idade


sábado, 2 de junho de 2018

O propósito do fim

...e a foz de todos os rios nos recortes da tua despedida,
solitariamente está escrito na espuma da água um nome,
o nome que já não conheço em cada poro,
que incendiavas numa pele que era áspera quando a percorreste,
pela primeira vez,...

afiança-me o líquido endurecido daquele mundo,
que voltarás,
talvez,
um dia que o mundo beije a sua perdição,...

não acredito que o fim tenha um propósito

domingo, 20 de maio de 2018

sendo pesa mais que querer

desde a espera pelo não voltar que todos somos diferentes,
passaram milhões e milhões de decisões indecifráveis,
catástrofes usadas como jóias de sedução,
e estar continua a pesar muito mais que querer,...

substituídos à onda que fecunda a praia,
deixamo-nos assim estar pesados como a morte,
e luminosos como os intermináveis sorrisos de um beijo