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quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Suspira para aqueles no escuro

Suspira para aqueles no escuro,
Os que com precisão,
Forçando um olho redondo,
Deixam pelo menos um corpo,
insinuar-se para fora do breu,...

Escolhe ficar de dentro das sombras,...

Os que se ocultam,
Dizendo um,
Querem expressar o mal,...

Suspira assim
por mais uma noite sem contornos precisos,

De um corpo,...

Eu sei que estive lá,
E hoje choro




sexta-feira, 25 de março de 2022

La muñeca

Um cabelo indistinto de dois tons, tão ralo que merece pena. Um vestido inofensivo, com cores que não despertam o teste da consciência de quem observa. Eu serei assim para sempre,...
a razão pela qual existem dúvidas. Pontos de contacto que entram pelas frestas, e pairam como gás letal no taciturno daquele lugar,...
por esta razão, um barulho incompreensível parece o teste certo para as novidades irregulares que o dealbar da noite traz,...
lá fora, pede-se uma última oportunidade ao amor. Ao mesmo tempo que os pés desculpam a morte. E a fazem pernoitar comigo num canto de duas vozes mudas



domingo, 8 de setembro de 2019

Indicações breves

sabemos que ela não gostava de ser
acompanhada enquanto caminhava,
não nos disse porquê,
só que o vento a deixava solitária,
e por isso reconhecia-se
na indisposição momentânea de
abraçar caminhos que não conhecia,....

desconhecemos o que
preferia vestir,
e o que costumava
calçar,
só que respirava,
e que gostava de ler,
quando se lançava sozinha
na noite


sábado, 26 de janeiro de 2019

Meu nazismo impoluto e resguardado

as cores com que se escreve o ser mau,
a vontade de palmilhar todas 
as ideias dignas de discussão,
e minimizar danos 
com a preferência 
pela ignomínia,
e desejo de conflito,
sempre estiveram 
estendidas ao sol,...

como a única roupa 
de um pobre,
que tem necessariamente 
de ser usada e 
apertada como várias 
segundas peles,...

lembrei-me de juntar 
todas as premonições 
de conflito redescobertas 
com este afã,
e tornar-me eu 
próprio mau,
incapaz de lamentar livros
 por ler,
beijos por dar,
e até ignorar os 
contornos de uma noite
 dormida sem som,
sem gosto,
só acompanhada 
por abandono,...

para afirmar-me como mau,
só precisei de ter fome,
e assustar a luz com o 
meu nazismo impoluto 
e resguardado 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Anonimato

eram somente aforismos,
não podia ser mais que isso,
 já que ninguém se
mostrava disposto a entender
o que estava em causa,
havia uma mulher
irrepreensível,
que recusava
a maternidade,
dois bilhetes de
 lotaria rasgados,
e incobráveis,
e um solo de violino,
naquela viela
escondida da maldade
e
 dos ideais de
sociedade perfeita,...

tudo acabou por
volta da hora em
que os
morcegos morrem,
com a redação
do esboço de um livro de amor trágico,
com uma união
inconsequente
entre duas pessoas que
não se entendiam,
e laivos de poesia mediocre
a voar das carotidas dos cidadãos anónimos,...

às cinco e dezoito desta tarde,
ainda acho que sonhos
destes podem levar ao suicídio


terça-feira, 30 de outubro de 2018

'Thou shall come by the night'

hei-de vir,
noite após noite,
até não saberes mais
 como me chamar
de sombra,
de rasto amarelecido
na morte da água que,
escorrendo das paredes,
mata a boca de silêncio
com que me recebias de nu na boca,....

e quando não vier,
saberás o mal,
o não querer mais
desenhar-me num
sonho que nunca aconteceu,
e seres fiel
sem saber fidelizar
a vontade de estar,
só por estar,....

rasga o particípio
deste passado,...

e acabou


segunda-feira, 23 de abril de 2018

resumo recôndito

desmentem-se as pontes de estar junto,
resumindo assim a única despedida que te conheci,
levantei o estore da noite mal surgiram
as sombras,
percebi o difícil dos minutos sem ti,
quando
se tornaram insuportaveis o que sempre tinham sido segundos de suprema pintura de desejos,...

e agora o fazer mal do silêncio,...

se mudar os meus olhos,
tu voltas?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

auto de fé


Sangravam-te facas do teto da boca,
Eras a res publica com olhos
à vista do corte de almas,
Com o sol a passear pelas sombras
de um corpo atónito,
refrescante em ardência difícil de caber
entre as sobras da populaça,…

chamaram-te noite,
amaldiçoada pedra do mal
com pernas e braços,
olhos de vazio e cheiro e coisa nenhuma,…

evaporaste o céu materializada
em fumo sem cor,
bruxa dos dedos cortados,
ululava a verve sem rosto….

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sábado, 16 de dezembro de 2017

...se o tempo recomeçasse

pedrinhas soltas no fundo de uma sombra em concha de praia,
dois equívocos à conversa,
 e risos,
risos de mais, com o entardecer a brisa,…

 cheira a novelos de lã, com gatos escritos no desejo de
ver o tempo romanceado,
menos difícil de digerir,
e com remendos de luz a sobra da criação
dá sono às marés,…

afasta o mar até ao limite do mundo,
deixando o pé marcado no que
passou desta repetição de nós
todos em cadeia….

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