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terça-feira, 26 de outubro de 2021

Dentro e fora

 lá fora desligam as luzes,

é uma bola irregular que

se forma,

em cima de um mundo desnivelado,

imutável,

que fala o suficiente por entre espinhos

que,

perfazem o sangue suficiente nas 

mãos dos que partem,...


cá dentro é novembro,

um vento assobia por entre

as parcelas da ausência,

e irrefletido,

a esquecer-se aos poucos




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Leitura

já não preciso do
que me leste,
a mansidão de
silêncios estudados,
de escrever sem braços,
e com pernas trémulas,
 fará porventura de mim
o máximo expoente da indecisão,
alcançar a frase com a maresia
a violar-nos os sentidos,
e o ar poluído de todos os dias
a matar as nossas casas,
amedronta-te?,....

talvez fiques bem
como foste antes de,
todos os números
da ausência,
serem os teus indultos
de um prazer negado

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Hop e a estrada

Estive em casa após não sei quanto tempo a deixar que o mundo me consumisse,
Falei com gente,
Escolhi os versos dos meus primeiros poemas,
E puta que pariu,
 Conheci-te,...

Lembro-me de ter perdido a perfidez em que me banhava,
De quando em vez,
E até a religião me chovia nos pés,...

Quando voltei a partir,
Estranhamente deixei de sentir os odores do clima,...
Amanho-me hoje como agricultor



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Desapegar

Virá o dia em que dos ombros em que me carregas,
Nascerão ruas sem frutos,
Digo-to a gritar,
De criatividade esvaziada pelo calor deste frio que me deserta,
Me desfalece,
Me faz caminhar inviolado pelo que resta das crianças que tínhamos nos nossos abraços,...

Lembro-me como se o positivo do sol fosse tudo isto,
Ser banal,
Ter pequenos barcos sem pescador a zarpar em olhos secos,..

Não te respondo em registos diferentes do que te habituei,
Só num poema como este,
Indiscreto,
como qualquer outra coisa de que te desvirtues



domingo, 1 de setembro de 2019

Duas pessoas indecisas a olhar para as estrelas

Duas pessoas indecisas a olhar para as estrelas,
Uma fala de gerações de líderes que caminharam debaixo da lua,
Afáveis,
Insubstituíveis no trilho das letras que foram escrevendo nos caminhos de mar,
Que a Terra desvirginou,...

A outra substitui o indecoroso das mãos,
Pelas resoluções possíveis que escorrem da enormidade do universo,
Diz que a água nunca será suficiente para a aridez de ideias,
E que na última esquina do big bang,
Haverá a solução para o dilema primordial,
Exemplificando com a quantidade de Insubstituíveis no cemitério,...

As mesmas duas pessoas acordam em desenhar a discórdia




sábado, 31 de agosto de 2019

Pratos de comida vazios

Em segundo ficavam sempre os pratos de comida vazios,
Depois da noite,...

Quando na casa nos restávamos à boçalidade e aos risos engaiolados,
Abriamos hostilidades pensando em livros de poesia,...

Digladiando etilismos,
E síndromes de Estocolmo desenhados nas paredes,
Percebiamos que um bom verso suja as casas,
Anula a harmonia falsa recontada todos os dias,...

Os pratos de comida vazios vinham depois,
Rendidos aos poemas recortados,
Adormeciamos infantilizados num beijo



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Planisfério ausente

ao mesmo tempo que é de
 manhã na tua luz,
anoiteço vezes
sem conta por falta
do ar que te dava vida no
nosso leito de arco-íris,...

estavas longe,
as paredes deixaram de ser
paletas abstratas,
que reproduziam em
contínuo a tua nudez
que se espalhava,
 como a luz da madrugada,
por um quarto que retalhámos
em pequenos mundos,
para que o universo
nos coubesse nos suspiros,
gretados no planisfério
entre os meus dedos e o teu corpo


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Geometria da ausência


os teus olhos não me namoravam os círculos dos dedos. Só prisioneiro da vida em esfera, podia pesar o suficiente as indecisões para que lá na precisa referência ao que, obscuramente, me dizias com um sorriso, tudo se resumisse à triangulação do que já não tenho para te dizer . Sobram-me apenas fardos sem sentido de sorrires que, sei-o, só tu me soubeste dar. Coisas, aqui e ali, do que me ensinaste a escrever. Sempre os mesmos poemas, mas sinceros, retangulares, com forma de jardim onde nunca estive mas em que talvez já tenha dormido.
Pequenos círculos de um odor a morte inundam-me o palato, agora que já é o primeiro dia sem ti