sexta-feira, 19 de junho de 2009

....e o mundo caminha para o fim

ei-lo só,
feto de mim,
preso de facto,
conjunto de ratos,
pessoa menor,
em fauna labiríntica
com sonhar à peça,
desdém pintado,
claro,
de facto,
menor por menos
que tu,
perfeita desdita de
terminar,
como se terá
começado,
pelo fim,
por mim,
em ti.....

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sem título (24)

neste mundo pequeno
redondo,
nem é meu este querer
topázio,
onde me agarro para sem
desejos desfiar momentos
em bocadinhos
de carne para esfomeados,....

Sinopse

"Desmotivava-me tanto saber que o amor estava escrito em cirilico, naquele bocado de papel de rebuçado dr. bayard."
O romance estava a começar a ser escrito como que num tom de desprendimento. Não tinha data de maturação. Nem prazo de possíveis arrependimentos. Lidaria com uma constipação, e um sorriso de compromisso inadiável. Talvez fosse o suficiente....

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Se pensar medisse menos que explodir.....


fala de mim como se o invólucro de um assunto fosse,
dispendido assim em comesinhos pedaços de
de alternância,
pareço o que pareço,
mas sem revelar nada
a mais do que verdadeiramente quero,
em suma por qualquer coisa,
o dia nasce e eu nem
me apetece fazer com que ele morra de novo,
só se for para nunca mais haver sonhos
a meias com o destino.....

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Empresa de faianças solares

estava dito,
ou tinha ficado implícito,
que a decisão de escrever
uma carta ao âmago do
ser teria de ser feita
à luz do luar,
em dia de morte inexplicada,...

sentei-me à chuva,
garatujo melhor quando
penso com nuvens por cima,...

segredaram ao vento
que o velho das porções
totalitárias morrera de
morte causada,
tiraram-lhe o aspecto
frugal de desfrutar de um sonho,
e depois cravaram-lhe o peito
até o sangue se tornar azul,...

pedido feito para tornar
isto em moças sorridentes,
senti a minguar o que de
noite entendível restava,...

recusei,
levantei os ossos gastos,
e tomei caminho para o nada,...

sou redactor de factos,
não de suores de trabalho
que é findo por
nunca ter existido....

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aculturado


Li este livro por tua causa. Falaste da rispidez do papel maché que nos parecia abraçar com braços envolventes e magros, desdizentes da crueldade dos crimes de sangue com que se insinuava no palato desmaiado de quem o havia comprado. Redigido em caracteres indigentes, senti-o frutificado em mim. Falava de dar oportunidades à oportunidade de sermos oportunos. Fazia-o com pretensões que tu nunca me descreveste com palavras que interessassem. Dizias, 'deixa-te embrenhar'. 'Fala ao que desejares falar, e escuta quando sentires que precisas de ser escutado'. A tudo, com a simplicidade com que a cultura nos beija, e nos deixa pituitariamente desfeitos, respondi com o sorriso com que me apresentei ao insensível. E li tudo isto. No fim, nada. Adormeci sobre o assustador que a palavra esclarecido despertou no reino de insondáveis dúvidas em que me movo.


Menina perfeita à chuva XI

Sentia-se a ficar sem pele, porque da pele sangrava sem sequer ver o que podendo ser sangue, era água tingida do vermelho das possibilidades infindas do armagedão com que o planeta parecia desdobrar-se. Deturpada na essência de ser de certezas feito, era hospedeira do cancro da dúvida. Sentia crescer por dentro o que a tomava por alvo de estupro. Entravam-lhe por si. Saíam-lhe pelo que queria deixar de ser. Entravam de novo por aquilo em que se estava a transformar, para no fim dizerem estar a vencer. Menina-Sol cessara de ser um processo de essências libidinosas em transformação, e só respirava. Azotos perfumados, com misturas do suave com que a água nos envolve, arremessavam-lhe as fossas nasais para o profundo do desconhecimento. Era portadora de hóspedes, que de hóspedes tinham o desejo de matar. Acabar com o previsto da respiração, e deixar em vez disso a plenitude do andar para sempre à espera que o ar encha de novo pulmões gastos pela indecência. Seria confusa toda a envolvência de morte, se a morte ela própria já não se tivesse tornado companheira desta viagem. Guia para um horizonte que restava-se a si mesmo para se manter lá onde sempre esteve. Menina-Sol já não chora. Tinha desaprendido de ser Ser.

#I, #II, #III, #IV, #V, #VI, #VII, #VIII, #IX, #X

Sem noivas, e sem irmãos

viste as noivas da sombra de mim,
lampiões de sonho na rua
em que lambusado,
discorro sobre o que nunca
fiz para autopromoção
do conceito da minha morte,

viste-as soltas,
a correrem nuas nas vielas que fazem as vezes de sinapses na
correria de lama que
carrego entre orelhas,...

sofrido,
casado pela borrasca do meio dia de copos de água de fome,
findou-se tudo assim,...

deixo-te para surpreeenderes a existência que te apresentei,
com o ar pútrido com que te banhas....

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pedomedos ocultos

sentir boca feita
duna de céu
escarlate,
coma assim dourado,
disseste-o escrevendo?,
pisado acredita o rodar
desta pedra,
escreveste-o no tombado da
luz de um
dia de choros,
e com o fim cheio
de princípios assim.....

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mal descrito assim


desenhámos sorrisos
avarentos na ardósia,
para o fazer bem,...

mas mal de si,
mal de todos,
o sol descende pela
mal querença do incerto,...

puxava a ficha deste
mundo à corda solta,
e mal de si,
mal de todos,...

por fazer ficaram as
consolas das
velhinhas sorridentes
das alvoradas....

terça-feira, 2 de junho de 2009

14 anos

quero que esquecido,
de esquecer o esquecimento,
reste-me a mim penas
de anjo....

instado a levantar-me
do balcão dos aflitos,
não consegui,
14 anos a ver o
lado prisão
das coisas....

Revolução, meretriz, revoluciona!!!

foi o que semelhante
a uma revolução de
sopros,
desnudou uma ventania
incontida na praça de
descansos parecidos
ao anoitecer,
republicanizado o desejo
do rei de parcelas descobertas,
povo foi quem habituado
a viver mal à sombra
de pedras,
libertou-se para
libertada consequência
do desleixo,....

por ínfimo que parecesse,
estaríamos a falar
de mulheres inconsequentes a
dizerem perceber
das políticas de controlo
de pensamentos incómodos....