terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Abalado

não fazia diferença se tudo se desmoronasse
só porque as pessoas não queriam saber,
o que interessava era avaliar a vida
com o monoteísmo das crenças inabaláveis,
e dali partir para os limites do mundo,...

em algum lado encontraríamos
a farsa certa,
para que o registo monocórdico dos falhados,
fosse o único que ficasse


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Continuei mesmo

Pensei nas vezes que o Tejo demora a crescer, envelhecer e morrer até que as pessoas percebam o que querem da vida. Alinhei os meus olhos com duas garrafas de vinho do Porto, que estavam mesmo à minha frente. Ganhavam pó e teias de aranha ocasionais, quase como se cumprissem pena de degredo, ditada por um juiz sem cara e sem idade.
Perguntaram-me o que queria. Não respondi à primeira. Sei que passaram alguns segundos que devo ter gasto a analisar a figura que me fez a pergunta. Um tipo de meia idade, atarracado, de pele escamada e cor de groselha . Não tinha cabelo, e quase respirava pelo espaço entre o queixo e a barbela.
Respondi um uísque. Sem gelo. Simples e capaz de me responder às perguntas que tinha naquele momento.
Acabara uma etapa da minha vida. Tinha deixado de ser cobarde, de ter receio de responder mal às pessoas, com medo das consequências. Foram anos a fio à deriva 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Talvez continue, talvez não...

Dizia-se que a bebida ali queimava. Um shot de vodka alumiava as solidões, e servia para pintar uma noite que se esbranquiçava quando a madrugada vinha. Entrei, sem saber o que esperar, esperando apenas que aquele não sei quê que parecia carregar às costas desaparecesse, emudecendo-se nos rebordos a tresandar a sujo de um copo repleto de álcool . Na porta, inscrito a roxo, quase da mesma cor dos votos de pêsames nos velórios, estava inscrita uma pequena frase de um autor qualquer:
‘renasce sempre no fim das tuas hesitações’
Não conhecia mas gostei. Lá dentro havia uma luz pálida, encerrando uma corriqueira insatisfação no ar.
Apertei a minha inconsequência no bolso, e sentei-me ao balcão...

sábado, 5 de janeiro de 2019

A mágoa descrita

existiam as condições
para restabelecer o desejo,
com um homem e uma
mulher de pele retalhada,
uma casa vazia
desnudada de sol,
e com todas
as pedras invisíveis
nos canteiros de flores
que pendiam nos sorrisos,...

agora precisavam-se
de escritas invisíveis,
lábios incandescentes
 a sangrar por um,
dois,
três passos
na direção do abismo,
e no fim de tudo,
talvez fossem de
todas as falhas
da condição humana,
os respirares trocados
com que se brindava
à noite enobrecida e distante


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Enleios

Assumi que sabias que não gostava do Sol. Apesar de escrever a palavra com letra maiúscula, e de, de vez em quando, até me banhar no amarelo torrado que pintava as paredes da minha sala ao final de cada tarde de Verão, como se aquele fosse o último dia do resto de cada uma das nossas vidas, achei que sentisses que sou uma pessoa da noite. Que vive ao minuto, esperando que cada estrela faça chover enleios difíceis de fazer sentir outra coisa que não momentos soltos de tranquilidade. Mas se não sabes, fica-te com a minha pele de equívocos. A mesma pessoa que aprendeste a admirar, transformou-se em duas especificações diferentes de conformismo.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Lei do som

já não estou aqui para ti,
saí antes que a lei do som,
se tornasse no silêncio 
sem palavra,
o mesmo que o medo 
traz quando repassa as paredes,
fazendo do vício,
o arredondar maligno 
da 
doença conformista 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Dispensar a razão

agora quando deixaste a razão,
e os dias sorvem as 
impacientes 
frases sem sentido,
restou prazer 
naqueles instantes 
desperdiçados da madrugada,...

já não sou a 
mesma pessoa 
que te ensinou 
a procurar um ninho,
uma resolução 
imperfeita 
numa quadra 
mal desenhada,
num verso de 
verão 
infetado com 
os possíveis 
invernos 
que conhecerás ainda,
até à morte,...

não procures agora definir-me, 
nunca mais serei 
alguém mascarado 
de ninguens sem sentido,
vive apenas,
sem teceres 
sinapses de razão 


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Segunda de 2019, poema concorrente a um concurso de fado da autoria do letrista V.C.. o Inatingivel 2019 assume metade da autoria na concepção do letrista em causa

gosto muito dos meus gatos,
a minha vida é a maior com eles,
não me imagino sem os seus afetos,
parece que já têm a minha pele,...

chegaram a minha casa bebés,
eram adoráveis e pequenos,
custou a mostrarem o seu amor,
agora vivemos a seus pés,...

tímidos e barulhentos,
guardam o meu descanso,
adoro-os de coração,
sabem ser chatos e
 também mansos,...

a minha vida é assim,
conto com o seu amor,
já estão habituados à minha casa,
em todo o lado eles dão cor


Gostava de vos dizer

Gostava de vos dizer que sou
eu,
o que escreve de forma diferente,
e se despede sempre com um urro
de cada cor,
a cada minuto,...

gostava mesmo de ter a certeza,
ser capaz de vos dizer a
frase 

Poema de raiva por dizer

O medo de falhar,
Explico-te as sombras com
a farsa que me apresentas,
Essas possibilidades todas de
resguardo,
sempre com luz,,...

não tolero mais a indecisão,
porque a vontade reparte-se
em ódio,
e o ódio partilha a paixão,
e a paixão não é nada,
se a dois, 
um nada queira,
e o outro faça por ignorar,....

a sublinhado,
com a fronte invisível de solidão,
lê o que tiveres de ler 
nesta farsa de,
um português 
mastigado,
e depois manda fora,....

se calhar é
melhor seguires em frente

Poema a fazer pela raiva

O medo de falhar,
Explico-te as sombras com
a farsa que me apresentas,
Essas possibilidades todas de
resguardo,
sempre com luz,,...

não tolero mais a indecisão,
porque a vontade reparte-se
em ódio,
e o ódio partilha a paixão,
e a paixão não é nada,
se a dois, 
um nada queira,
e o outro faça por ignorar,....

a sublinhado,
com a fronte invisível de solidão,
lê o que tiveres de ler 
nesta farsa de,
um português 
mastigado,
e depois manda fora,....

se calhar é
melhor seguires em frente


Inatingível 2019, esperamos coisas boas de ti