domingo, 11 de fevereiro de 2018

Mudar o mar de sítio

Cansaço nas mãos transparentes de medo,
Luz de frio em olhos apagados 
De chama,
Eram cabelos ao som do vento mudo a fechar um ciclo,...

Chovias-te para interromper 
Qualquer coisa,
Com o tempo sem explicar 
O tempo que demora a
Mudar o mar de sítio,...

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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Estratocumulos

Tinhas olhos lago,
Corpo encurvado para
Parecer a linha de água,
Pernas como Ramos defensores
De uma mãe árvore...

Em parque de fim de outono,
Suprias nos meus dedos 
O imprevisto do adeus ao estio,
Para sombra de minuto inverno,
Fechavas os olhos,
Anoitecendo em poema de
Estratocumulos...

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

auto de fé


Sangravam-te facas do teto da boca,
Eras a res publica com olhos
à vista do corte de almas,
Com o sol a passear pelas sombras
de um corpo atónito,
refrescante em ardência difícil de caber
entre as sobras da populaça,…

chamaram-te noite,
amaldiçoada pedra do mal
com pernas e braços,
olhos de vazio e cheiro e coisa nenhuma,…

evaporaste o céu materializada
em fumo sem cor,
bruxa dos dedos cortados,
ululava a verve sem rosto….

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Trespassado em vozes


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De todo o ódio pelo sol porfiado nos
Frascos de final de tarde,
Sem se poder maldizer o som,
Caminha-se aprovado em monstros,
Nas sombras disformes que mascarram as esquinas impolutas 
Dos superiores,...

De todas as coisas gerar rodas para travar,
A impoluta versão do medo
Escondida no canto húmido de
Todos os olhos que usas,
Da folha branca em que te equilibras no abismo,...

E para fins princípios consentâneos
Com o amor,
Trespassado em vozes que não cantam por medo da falésia final ...

Casas estridentes

Entraste no cimo da rua junto à árvore morta, 
Havia uma pedra grande
Junto a um banco sem cor,
Sem forma,
Gasta nas pontas e
Coberta com o ocre do tempo,
Homenageava a mulher desaparecida Por cada criança que ali tinha abençoado a vida,...

Sentada com as pernas em coração,
Tomaste uma última refeição de verde comiserante antes
De partir de vez,
em direção ao horizonte assoberbado das casas estridentes ...



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Fomos a certeza dos nuncas

Sorriste um comboio a rasgar a planície,
Traçavas o destino preso em hesitações de pedra pomes,
Incendiárias de um plano apanhado
Nas faces redondas do sol encadeado,
Pendurado,
que desenha planos de futuro,
Com bissetriz de partilha de fim dos dias,...

Fomos a certeza dos nuncas escondidos no sorriso dos velhos
Que tomam banho em tranquilidade,
Com as sombras fantasma dos sobreiros de isolamento daquele fundo de mundo,
Esquadriadas na terra dura que nos pare e mata no redondel do sol...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

e fomos praia até à madrugada

disseram-me que eras o frio,
o que escorre das paredes
da cidade perdida nos segundos sem cor,...

desenhei-te a soprar mais forte que o
vento que traz facas,
e retalha o movimento perpétuo
das rosas no que me lembro,
dos teus cabelos,...

os que voavam sem parar,
num vai e vem de baunilha
descrito,....

sentei-me onde pensei poder
reencontrar-te,
e com o entardecer a abraçar-me,
tranquilamente,...

surgiste eterna nas pedras
da falésia onde te perdi,...

e fomos praia até à madrugada,
e para lá do tempo ensurdecedor
da rebentação....


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Descrição da discrição

As coisas estavam arrumadas em cascata nas prateleiras alaranjadas da cozinha. Por baixo os temperos, que se usavam quase de sol a sol. O sal num frasco de loiça alentejana, acastanhado, com tampa verde. Comprado na feira de maio, a um cigano que cantava o joselito na perfeição , apesar de ser tão gago que nem conseguia dizer o nome todo seguido numa única frase. A pimenta rasava sempre o fundo de uma caixa chinesa, de plástico, com um símbolo esbatido do yin e yang para dar sorte à cozinha .
A noz moscada já tinha percevejo a passear lá dentro:
ninguém gostava de usar coisas indianas porque lembrava 1961, o ano em que Portugal começou a morrer. Amen!!!
O tomilho e o louro estavam sempre em molhos pequeninos , encostadas junto à serradura em pó, no canto da prateleira Por cima as compotas que eram renovadas todas as semanas . Exalavam um cheiro de mercearia de pé de prédio, e davam um ar acolhedor, tipo revista Eva do Natal, à casa.
Por fim, e em cima, o pão. Estava numa caixa de plástico, com porta de correr. Cortado em triângulos, comidos três vezes por dia ao ritmo de uma fome que já nem parecia importar mais que o correr do ponteiro dos minutos ...


dúvida,...devida


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É como se me cosesses a boca,
Com fio enleante e capaz de
selar segredos de barro,
É como se depois me materializasses
Em passado,…

É como se a vida depois passasse,
Na dúvida,
devida,...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Monday, 41 minutes past


...falta de porquês para o amanhã

as formas como desenhaste o ir embora,
o não querer mais,
esquecendo o que só tem agora presente num lado
comatoso do ser,…

um corpo que vibrou e volta ao
entorpecimento da madrugada,…

deixam-me só no que foram segundos
desperdiçados,…

o sol deixou de brilhar como nascia quando te acordava,
a noite de hoje será igual à de ontem,
e todas serão as mesmas até o universo rebentar,
e o verbo se desfizer no nada,….

Na minha cabeça nuvens de vida a passar,
Numa desértica falta de porquês para o amanhã….


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Melhorzinho

Só fazes sentido na bruma de uma
Manhã de inconstantes minutos,
Daquelas em que o pé ante pé nos salva de um falhanço,
De uma decisão mal tomada,...

Poderia desenhar-te no rosa do nascer do dia, 
Fazer os teus olhos estrelas que se somem na Aurora de todos as
Novas da morte,
Mas não o faço,...

Se só te sei escrever deixo-te à metáfora da perfeição que nunca terei, 
Se quiseres ponho-te onde para mim reside o sorriso,
NAquela gaivota que se deixa levar no zen das ondas chão das primeiras horas,..,

Para o feliz dos segundos que faltam restas-te na minha memória ,
Passeias com vícios na pele por entre as sinapses gastas do que me faz respirar ...