sexta-feira, 13 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Voz
daquela pequena bola,
o ser,
as soluções infernizadas
quando é a chuva que
manda a porta abaixo
a pedir contas,
e tudo tranquilo,
sem falsas posses
de escárnio,
e com pequenas pessoas de inverno
metidas nos bocadinhos
de carne que caem dos
vizinhos da morte,
de cima,
da vida,
que acabou.....
sábado, 31 de outubro de 2009
Rumor
ainda te posso ouvir,
ao longe,
perto do soluçar híbrido
do vento que ampara
os quereres que todos
matamos de quando em vez,...
estás a professar a
placidez dos momentos perfumados,
do nada que
gostamos de traduzir
em leituras de escritos
indecifráveis,...
permanecemos aqui,
à espera do lavar da cara
do tempo que sirva para que
outro momento mate o que
queremos deixar por baixo do vórtice
da intensidade que nos mata,...
desconheço pormenores de como desenhar com
mais intensidade o que
vejo na escuridão da minha mente,
para que entendas finalmente como soluço
com o passar dos segundos,
esperando que a dor
que me enforca,...
deixe a herança que
estirpa cair no prato pequenas
migalhas de ácido decifrador dos
olhos que foste perdendo com o
caminhar inexorável do
que escrevias,
pensando assim poder
interpretar o que de mim
foste apenas conhecendo....
O barulho que se faz a urinar...
o homem mijava alto,
mas era uma coisa
ensurdecedora,
semelhante ao mundo
a bater à porta do universo
num dia de trovoada inconstante,...
diagnosticaram-lhe um problema de bexiga,
e outro de consciência,
do primeiro recuperou,
usa um saquinho que
lhe faz um volume nas calças quando se senta,
à tarde na esplanada,
para ler o resto do jornal
desportivo que o comerciante reaproveita
várias vezes para limpar as fezes do gato que está para morrer,...
do outro disseram-lhe que podia morrer,
a cabeça incha-lhe porque se sente apaixonado pelo silêncio
com que diariamente vive desde que só os
pombos o acordam quando se senta na
sanita mal acorda....
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A história de uma mulher simples e perseguida
naquela noite, a mulher dos olhos que se desuniam
quis passar de um ponto inseguro,
para a terra dos amanheceres difíceis de definir,...
deu-lhe um som quando pelo desejo indefinido
que sentiu,
perdeu a voz domada
e sonhadora que
sempre teve,...
a paixão,
a tal formiga irrequieta
que nos mina o centro
do ser multicolor,
fugiu-lhe quando a chuva
desabou,....
esta acaba por ser a história de uma mulher
simples,
que depois de se aperceber da finitude
do que quis um dia,
embrenhou-se no sono
de quem desenha céus
no rasgado perímetro
do choro dos dias
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Cidade aos poucos a morrer com tudo desenhado
O sentido da vida, estava no virar dos dias que, parecendo iguais, desfaziam-se solidamente em pequenos bocadinhos disformes. Chovia assim quando se chorava muito nas esquinas daquela cidade que procurava ainda o seu lugar no mundo.
Não parecia incoerente este processo, apenas porque as pessoas nem o notavam.
Sentia-se no ar como tremer sabia bem antes de morrer.
Rir era melhor que chorar. Lamentar perdia-se no desfazer dos minutos que se passavam a recordar as coisas comezinhas do passado.
E depois, aquele homem.
O que desenhava a carvão os passos de todos, tecendo depois cuidadosamente explicações para os falhanços aparentes da pré-concebida estrutura de felicidade de que as pessoas se alimentavam....
O outono chegou....
Era um frio esquisito. O que se ressentia mais eram os inexplicáveis contornos da parede. Tudo se encarquilhava, tornando a casa, e uma singela taça de frutas onde só repousava uma maçâ de cera, únicas e inseparáveis.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Mulher só e feliz por momentos
Vai por cima da linha do choro. Não pode sobrevir nada, do que a manhã tem planeado para ela. Um sopro, dois impulsos, e à terceira solução de caminho, o sorriso suficiente para que o dia termine ganho.
Sim, ainda há pequenas liberdades nos segundos em que, a caminhar, se descobre que estamos vivos.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sem título (19)
nunca te quis no
plano do cetim,
dos rostos quando
amanhecem encostados
ao sol que nos assalta
a casa para tirar a mal
feita percepção de
conformismo,....
penso-te como ontem,
aliás como para o
sempre onde te quero
perfeita no correr dos
dias a desfiar-me
na imperfeição que
carrego...
Sala de pânico no final do Inverno
Passos. Sonorizavam-se assim as boas novas do passado que não ficou no féretro das outras coisas. Era pelo ardor das pessoas boas que, naquele cubículo, se imaginava que viriam os dias com descrições melhores da impaciência de todos os que choram. Havia quem lia. Não se notavam os que descobriam música nos contornos das árvores que, semestralmente, anunciavam a timidez da primavera daquele universo. Davam alguns sinais de presença os que escreviam não se percebe que tipo de poesia.
Apenas se esperava pelo som daquele baque alegre, seguido do outro baque, e de mais outro. Para que o fim, suasse ódio por mais outro início....
domingo, 18 de outubro de 2009
O menino que desenhava coisa nenhuma
Aquele menino desenhava as mãos, com os pés mais de sonho que podia conceber. Despegava-se dos suspiros com que passava a vida a entoar o hino das coisas perfeitas, e lá ia embalado para não sabia muito bem onde. Criava sonoras disposições das bonecas do céu. As que choravam quando se riam, e riam-se sem que as pessoas percebessem. Bonecas que amavam homens de trovão, insuficientes para travar a chuva que todos os dias desvirginava a terra em coma. E, melhor que tudo, sentia-se confortável sendo diferente. Parecido consigo mesmo, e diferente do que queriam que ele fosse nos dias que tardavam em vir, talvez porque nunca hão sequer de existir.








