sábado, 17 de outubro de 2009

Ganda parola, fosgasse!!!!

'Agora já sinto medo'. Disse-o com um sorriso em que nem um como estás cabia. Tremia muito. Nunca havia experimentado um desejo irrepremido, como estas coisas sem sentido que transpiravam do candeeiro da sala de todos os dias. Era como se a tivessem tomado de assalto, e quem o fez partiu ao pôr-do-sol, matando-a por dentro.
Com muita sede. E medo. E sonhos por cumprir

As subtis incertezas que a chuva traz

Ainda não parou de chover. Concentro-me nos segundos em que o vento parece amainar os suspiros de indecisão com que brinda esta cidade, e revejo-me neles como contador de histórias interminadas. Asseguro a sapiência de quem está neste estado, refugiando-me no frontal insulto que brota, certinho, daquele transistor que é mesmo a única companhia que me faz evitar o fim. Não escolhi estar aqui. Acho que me desenhei neste cadeirão velho, roçado, a cheirar a muitos cães juntos com a alma do velho que aqui morreu triste, e sufocado no próprio choro.
Ainda não me desembaracei daquele ar de pessoa triste que sei que as pessoas têm de mim. Não sou mau de todo. Um pouco senhor de todas as coisas pequenas, como este gotejar incessante que me broca a cabeça em sítios que pensei estarem mortos e enterrados. Detesto mesmo este sufoco inadiável, que me abraça como o dia em que disse adeus a mim pintado de outro. Contínuo feito psicose, nesta chuva que não pára.
Talvez me conforte jogar ao póquer da sorte com a sombra que me recorta na parede....


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nova coisa sem importância no Singelo (Poemas Esparsos)....

....aqui está

Não dou título a isto, porque simplesmente é tudo muito sombrio na vida....

pára por aqui,
não sei se constataste, mas
somos desníveis que
ao mostrarem querer-te,
pugnam por te estraçalhar os ossos,
deixando-os a correr no vómito
inconsequente
desta cidade que
só se ama,...

eu se fosse a ti desintegrava-me,...

sujo de imbecilidades,
não passas de uma bosta de cão pintada
de todos os azuis em
relação aos quais as
pessoas se desinteressam
quando têm de matar,...
tenho poucas esperanças fundadas
para ti quando tudo
se assemelha ao
que desta janela
se escreve,...

apresento-me como o relator
de todas as coisas pútridas que
alguma vez tomaste
como pancadinhas nas costas dos
que te amaram nesses mesmos
segundos tardios
que agora queres esquecer....

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entardecer assimétrico dos coitadinhos

Não sei de nada, à medida que este sol se desfaz. Esqueço-me das partes soltas da música que, ao acompanhar-me, solta fases da episódica quantia de inspiração certa que trago debaixo do braço. Assobio. Pé-ante-pé. Medo de falhar. Coisas de nada quando, ao longe, o sol teima em querer estorricar o que resta do que se arrasta por entre os intervalos do espaço que o tempo dá. Não são peças. Ninguém pede assim que se sofram coisas difíceis de trazer por casa quando se escolhe a rua para expiar pecados, pecadilhos insonsos e sem mestria para sequer serem importantes.
Eu quero-me neste sítio. A sofrer. Carente de sons, de atrevimentos criativos. A implorar por trocos que me permitam alimentar, e depois morrer de fome de sentido.
Não sou coitado, mas quero ser menos que invisível. Reparem em mim, só antes de esta noite que nunca mais cai, cair mesmo.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Exemplo

quanto mais penso, menos vontade tenho de especificar o que pretendo que as coisas sejam. Ou não se quer que esteja aqui, a dizer de mim tudo e menos que o que desejo. Ou, ao invés, sobram defeitos de tudo o que, ao sol, luz menos que a lágrima do homem que antevejo em momentos finais de vida. Sim, sou o que se vê. Não, não quero ser mais que isto. E talvez, nada disto faça sentido. Só percepções imediatas de todos os momentos em que me sei incapaz de perceber tudo isto.
Enquanto isso, o dia terminantemente desliza para um fim que não sei descrever. Abrigo-me o melhor que posso da chuva de desfeitas que a noite traz.
Aqui me encontro a escrever de tudo isto o pior que sei, mas o melhor abstracto que consigo conceber.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O que faz rir num contexto de fome e desespero...

eu sou daquelas pessoas
que guarda tudo o que o faz
rir num cantinho esquecido,...

vejamos por partes o que me diverte,...

soluços,
ver pessoas encavacadas
a enxotar para debaixo do tapete
os restos de aerofagias,
apenas porque as acham
bonitas e penteadinhas com
cheiros angelicais,...

inconsequências,
consequentes faltas de
processos de auto-defesa,
traduzidos no
'desculpe,
não fiz por mal',...

e ao finalizar isto,
que se avance com as
perspectivas de morte
ao voltar da esquina,...

vi um filme há muitos
anos em que o rapazinho
acabava o romance com a imagem
de uma mulher,
depois de tropeçar e cair
para dentro de um
precípicio,...

se bem me lembro o
jovem chamava-se
oportunidade,...

nome estranho para
quem é um fóssil
que repousa no museu
dos fechados e que
não sonham....


sábado, 3 de outubro de 2009

O que faço com os meus poemas.....

Eu guardava os meus poemas em pequenos frasquinhos cheios de anis. Esverdeado. Exalavam um acre odor a valentia. Descritos os heróis de sagas repartidas por falsas etapas de segundos, acondicionei-os para os proteger do desgaste do tempo. A minha métrica, ensinei- a a mim mesmo. Escritos como aqueles morreram como fados. Toquei-me como verso, antes que eles saíssem daquela sala onde apodreciam embalados pelo envelhecer do ar que abracei quando ainda era pessoa.

Love at dawn

gosto de ti mas
das formas mais
em cima dos pontos
dos que exclamam coisas
que pesam menos que o ar,
e depois dou-te dos
beijos que nem sonham
aos que lhes pesa menos as ideias,
sim,
sou a brisa com que o corpo te pesa tão pouco
no amor que te dou....

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pontos finais, desordem....

Era uma cidade tão pequena, mas tão pequena, que o pensamento perdia-se ao tentar espreguiçar-se na praça central mostrando-se, com isso, incapaz de abarcar toda a universalidade que um grão de pó continha naquele espaço concêntrico. Moravam ali poucos, mas bons. Os maus tinham saído, descontentes com a forma inusitada como lhes reconheciam potencialidades, mas ao mesmo tempo lhes colocavam a franquia de incapazes.As sombras de querer escrever restavam a quem sangrava vontade de querer mudar tudo isto....

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Rendilhado de amor para passar uma tarde

os dias abraçam-me com os porquês
dos momentos em que me vejo sem os teus abraços,...

se sim,
quando os tenho,
é porque me sinto
feliz na directa proporção do
céu que encontro
nas pequenas frestas dos minutos que me tornam imortal no teu respirar...

se não,
se é a vida,
com o correr tépido do que temos de
fazer para por cá continuar que
me afasta de ti,
brinco triste com a tristeza sem som,...

os pedidos expressos do murmurar do amor, aligeiram os minutos que são séculos,...

e se vestem de segundos dos primeiros sons com que me imortalizei no momento em que o teu sorriso
soprou-me vida...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

País ateu

reafirmado como fino fio de
mundos que se entrelaçam,
desconsolo-me da própria
necessidade de me tornar o deus dos
gritos inodoros,...

o sol dos dias que custam a passar
para os que
nem conseguem esperar pelo anoitecer
da morte sozinha,...

sim fui aparição,
eucaristia das minhas
coisas falhadas que
ainda vejo ao longe,
no entardecer com
que choro à espera
da espera que já me
tolhe pelos que desapareceram,...

povos dos lamentos
sofridos como este,
desconjuntem-se em
busca de remédios para
a falta de argumentos,
desisti de me
expôr em ventos tão
inconsequentes como
os que discorri.....