havia um dia,
ou houve dois minutos,
mais ou menos,
em que me pareceu correto começar
a pensar sobre o ladrar do tempo desalmado,
e como sabia mal perder o
calor prensado das pessoas,
e o bem querer,
sobretudo,
sentir que quem traz tudo isto
debaixo da pele,
se chama morte,...
e então lembrei-me de coisa nenhuma,
de como sabe bem deixar correr os
dedos,
até que se olhe para a rua,
e as pessoas surjam travestidas de
árvores,
esquálidas,
mas confiáveis,...
por isso me fio na revolta
dos desejos que ainda nem vieram

