segunda-feira, 12 de julho de 2021

Evangelho a propósito


sigam-me,

a existência está gasta, estas são linhas que, por pouco menos

do que a presença, resvalam como curvas acentuadas,

caminhos perdidos que a efetiva reconstrução do tempo

deixa pendentes,...


não temo ninguém,

o meu evangelho são as rugas que

me semicerram os olhos,

a cada dia que me afasto

da candura,

e me arrasto para a malvadez,...


se me quiserem,

ouvir, perceber, descrever, escrever, desenhar,

não importa o verbo,

a resolução é simples,

a vida tem de pesar menos

que o arrependimento

domingo, 11 de julho de 2021

Pôr fim a tudo

 


A escolha foi a correta,

Havia dois miúdos que corriam,

Despreocupados,

Um relógio que envelhecia a inocentar-se sempre devagarinho,

E uma queda desamparada,

Com um corpo sugado,

 pela gravidade intensa do planeta que nos matava aos poucos,...


O meu corpo já não respondia de igual forma,

A idade pesava no que fazia,

No que ficava por pensar,

Em todos os quocientes de contas inexatas,

E de probabilidades alinhadas,...


Ao fim e ao cabo somos a existência possivel,

Para assumir erros incompreensíveis,

Por isso foi uma escolha correta

sábado, 10 de julho de 2021

O Inatingivel também se internacionaliza


 just the thought of a risen 

flood,

oh by the love of the impulse

that fabricated us,

is it right to descent into the

level of a soul?,...


write the remains of a sad

belonging,

if all this makes sense,

it is for the sake of a profound

fear of change,...


take my hand,

and call me old-fashioned murderer of 

well being,

but please don't leave,

i need the need of your presence

sexta-feira, 9 de julho de 2021

As vetustas ideias medram



 Eu estou quase a nascer outra vez,

Após tantos sonhos feéricos,

Risos aos rodapés,

E tetos pingados de amor,

Em salas vazias mas com a noção perfeita da autonomia,...


Se realmente nascer outra vez,

Haveria de ser outra vez psicólogo,

E comandante da minha censura,

Para que tudo o que me impuseram,

Quando a censura me quis como infame,

Renascesse com a transparência possível,...


Isso será a lição possível de quando o mundo me quiser de volta,

Como livro lançado pela janela,

E que vá aterrar no óleo viscoso, 

que escorre das gargantas dos fins de tarde da capital da minha vida 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Vociferar

 

Vociferar,

Era um verbo que conjugado,

Continuava a deixar o tampo da mesa liso,

E os outros tempos verbais imóveis,

Como sempre estiveram,...


Não haveria tempo para defender uma reposição de privilégios,

Era uma sociedade perdida no tempo,

E sem espaço para progredir mais que o óbvio,

E o doloroso,...


A mim competia-me definhar num projeto literário,

Que pelo menos tivesse arestas,

Cheirasse a inocência acabada de colher,

Para que se anulasse a vontade de vociferar 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Letras comesinhas

 


Já me aborrece a poesia,

A esculturalidade de letras comesinhas,

Indefinidas,

E o tempo a anotar o mais que os ses permitem,...


A minha relação com laivos de loucura,

Se calhar está perto do fim,

É isso,

Para mim a poesia é uma portagem,

Para outro país,

Sítios onde tenho medo de ir,

Mas não assumo 

terça-feira, 6 de julho de 2021

Vinho bacilento


 


provavelmente noutros tempos,

com outras circunstâncias,

o materialismo dialético de um copo de 

vinho bacilento,

inofensivo,

a repousar ao nojo dos atropelos

de uma tarde de fim de verão,

tivesse sabido desvendar a paralaxe

desta confrontação,...


não há meios termos,

nem discos riscados de uma cantora

lírica de que nem se sabe o nome,

que nos valha em tempo de aflição,...


sei escrever o pormenor de um 

entremeio de roupa gasta,

a ilusão desconheço

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Local inexplorado

 


Que te importa a fraqueza, o derramares-te no rio que corre, nas águas inquinadas de não saber explicar a vida, se nada saberás usar, se de tudo o vento irá dispôr em ti, fazendo-te um local inexplorado, com música ineficaz para a exploração do medo, para a reclusão analisada ebriamente,... amovível a explicação, este é um caminho que só me dispus a descrever como frase, com inutilidade hermenêutica


domingo, 4 de julho de 2021

Dona Sol

 


Todas as coisas se explicavam a si próprias,

Porque dona Sol reinava sobre os imponderáveis,

Dominava a racionalidade insuficiente,

Os por aqui e as lateralidades da falta de som,

Dona Sol iludia a ilusão,

Sempre que tal fosse possível,

Mas nem sempre aquela dorzinha boa de felicidade chegava,...


E ai dona Sol influenciava a perfeição,

Sem que dela viesse o vento regenerador pelo qual sempre lutava 

sábado, 3 de julho de 2021

Tempo sem som

 


Vamos só ver o que acontece,

Há ilusão,

O amor não cabe nestas coisas porque ele costuma aflorar sem rosto,

E nós não gostamos de intuições,

Só de coisas concretas e personificadas,...


Por isso esperar pela influência de um querer inocente,

Talvez retire todo este tempo sem som,

Mergulhado num silêncio que não copula

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Retrato robot

 


Imagina-me uma criança insegura,

Sem nome,

De olhos baços como o choro da desolação,

E agora explica-me a forma inocente dos dias tristes,

A árvore das mortes que se sucedem,

Explica-me como se vai daqui para a luz fracionada do desejo,...


Porque tenho tantas dúvidas,

Nem sei como adivinhar a mesma razão do desejo que nem conheço,

E há ali,

Debaixo da minha cama da perdição,

Um ano ou dois de vaidade que não é minha,

Só talvez a tenha usado um pouco nestes versos amorfos,

Que nunca sequer chegarão a canção de bairro perfeito 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Julhando a 15 de abril


 

nove horas,

tanto faz se o medo está

reproduzido nos contornos das casas,

as mesmas que desabam aos meus pés,

quando irrefletido sobre as sombras,

as flores,

via tanta água a dançar aos meus pés,...


tudo é seco,

e mudo,

o inverso das reflexões,

nada fazem,

quando é um relógio que de mostrar 

o sonho,

definia o pesadelo,...


dez horas,

não há alternativa ao sono