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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A minha pele enoja


                                                                         Tirado daqui

Ilustração de Adams Carvalho

não sou de cá,

os pés que me

andem um pouco

acima do chão,….


 que se perceba

o que digo como

grunhidos,

e a minha roupa assuste,

se digam patranhas

 consecutivas sobre ela,....


a minha pele enoja,

é cor de café estragado,

os cabelos enrijecem

com o calor,

e respigam em dias gelados,....


há sapatos rasgados

e traçados pelo chão,

e mesmo assim sou um estranho,....


vivam as ofensas

que arrasto como latas


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Já não há

já não há peste,
nem cidades que morrem metamorfoseadas
em nuvens negras,
já não há sol com sabor de vento,
nem brisas fétidas de lá longe,....

não sobram restos de tecido
de velhos anódinos,
a fazer de toalhas em mesas
sem pão,...

sobrarão luzes reunidas em bola,
no leito sujo das crianças pobres,
a fazerem de esperança,
enquanto lá fora toda a merda se revolta
em surdina,
fazendo de mim,
de ti,
sem que hajam nós prontos
a contestar,....

já não há nada,
só vultos de fantasmas
sem nome a falar


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Letras de merda

 letras de merda,
solstício de toda esta
 coisada medíocre,
 que nem reluz à sombra
de um projeto de sociedade,...

sem exploradores,
com explorados
aluados de burgueses indisciplinados,
e retirados da vida pela saída airosa
de um respirado traque,....

detesto as perceções indecentes
de sonho,
e as irrefletidas estrofes
de cansaço,
letras de merda,
sim,
convosco sentados a ajuizar
só porque sim,...

e talvez porque ninguém
entende as verdades assim,
meio explicadas,
ajustadas só ao momento,
e nunca à realidade,....

letras de merda,
ainda espero por
pagar o imposto
da estupidez que não tenho