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domingo, 8 de maio de 2022

Lamento ciclópico

descontente com tudo,
com a lanterna do momento perdido,
com a solidão que come connosco à mesa,
com a roupa perdida para o vício,
a raiva que se devora e depois cospe,
ficando a escorrer pelos cantos da boca,...

tanto sinal de autocracia,
e os autores de respostas fáceis que
somos,
à procura de lugar,
neste lamento ciclópico,
que não tem fim,
e se auto-renova até se esgotar


domingo, 19 de maio de 2019

José mais José que todos os Josés

ele vai poucas vezes ao café,
passa o tempo em casa, a pintar os rebordos
das mesas com diversos tipos de tinta,
e depois crava as unhas nos salpicos que,
expelidos pelo chão,
dão à sala um ar desmazelado,
sombrio até,...

chama-se José mais José que todos os
Josés,
fala sem que ninguém entenda,
de especial só mesmo a sombra que projeta
em redor dos pés,
enquanto lhe saltam as unhas de tanto raspar,....

bebe água como se sol fosse,
e transpira sol como projeto de
ódio à água,
e como tudo se finaliza num beijo,
adormece só,
a pensar na mãe,
a embalar-lhe a solidão




terça-feira, 19 de março de 2019

Mancharei o teu nome

mancharei o teu nome quando já não houver
mais luz para pensar,
nem caminho para perceber os erros,
restando reescrever a sorte.
com diferentes
tracejados irregulares,...

só me resta deixar de entender os momentos
que me deste,
a frase percepcionada,
os segundos deitados no chão,
esfumando-se como a chuva
breve do fim do Verão,...

mancharei o teu nome para te
dizer que lamento,
riscos por toda a parte
em que pisaste,
para partir