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| Sem Esperança (1945) de: Frida Kahlo |
Tirado daqui
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| Sem Esperança (1945) de: Frida Kahlo |
Serves te de bordados,
Sentes te assim de
um país distante,
Onde o chocolate ocupa as ruas,
Em vez de anónimos
despreocupados com o próximo,
E os seus próprios tempos de vertigem,....
Serves te do que tiver de ser,
Para que não te entendam,
Pelo menos enquanto a música for alta,...
Serás anónimo,
De dois rostos,
E a televisão vai acabar com o hino nacional,
Como se espera próximo
da tua seriedade
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| The Face of Another (1966) de: Hiroshi Teshigahara |
Pepino o ladrão estragado,
Espécie de pessoa,
Azarento,
Quarentão refeito das trevas da solidão,
Que mora onde calha,...
Come pouco,
Acerta Ainda menos,
E dá passos infelizes,
Como o sol lhe dissesse mais do que realmente precisa,....
Pepino sonha,
Dá voltas na cama indisponível,
E refaz prioridades,
Define o sim e o não,
O antes e o após,...
Sabendo que Pepino o ilusório,
O que não condescende nem representa,
Não será nunca amado,
Nem amará mais que o necessário
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| Shyama Golden Intertwined (2020) |
Não gostei da dor,
O meu corpo não se regista,
Como todos os teus jogos de fortuna e azar,....
E ha relógios,
Dar corda a todo o tempo que,
Ao caber em despertadores,
Passa a ser a nossa roupa,....
E se espeta em pés,
E no que sobra de mãos dantes enobrecidas,...
E por isso esta dor,
Este resto de consciência que azeda os dentes,
E torna pequeninos olhos que lacrimejam,
Não contem comigo para a aceitar,...
Eu procurarei mais pele
para me coser
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| 'Cat Fancy' Ilustração da revista New Yorker, de Edward Gorey |
falamos,
desobstruímos o ar,
a casa está vazia,
recusa-se o tempo,
o espaço,
a virtude do desejo,
pousado que está na estante
poeirenta,….
o meu corpo é teu,
os nossos corpos são
de ninguém,...
e se me devoto
à luz de olhos,
como os teus,
a contornos irregulares,
mas sedosos,
de um corpo como o teu,...
à voracidade de um desejo,
como o meu,
que solta
incontrolável
por estes recantos
de fundo de rua,
é porque há um coração,
meu,
metaforicamente nosso,
que pulsa por te ter,....
e uma casa,
de ambos,
chamada amor,
amor com todas as letras,
amor de hoje,
de ontem,
de quando quisermos,...
e agora o silêncio
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| Alison (música dos Slowdive) |
O parthenon está a cair,
Olho para ele,
O olhar dói me de tão desperto que está,
Um calor desabrigado,
Insolente,
Tão próprio de Atenas a dizer que não nos quer no seu ventre,....
Não tenho como avisar as pessoas,
Vejo o nervosismo de quem se lembra do Parthenon,
Em todas as suas facetas,
A ponto de ele começar a tremer,
E ser normal,
Ser tão normal como a história,
A pedir por água num calor,
Fétido como o daquela terra
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| Foto de David Bowie, Iggy Pop e Ronnie Wood (1978) |
De todos os que não chegaram,
Os que desejavam monstros,
Vistos ao longe,
E vestidos de nada,
Nós ficámos sempre a uma
Distância segura,....
Escrita a maiúsculas,
Com árvores pelo meio,
E a verdade adaptada,
Consoante origens,
Inocências,
E aqueles malditos princípios políticos,
Que as pessoas renegam,. ..
Mas guardam,
Em caixinhas bonitas
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| Cap sounio,Greece |
Olá,
De detrás do pó,
De vírgulas a mais espaçadas,
Com sons irritados e voláteis,
Olá pra todos e para ninguém,....
De grito em riste,
E voz tolhida,
Um Olá redondo,
De letra grande,...
Olá de ti,
De mim,
Para todos,....
Eu desenho te um Olá,
Espera despida,
Aos pés da cama,
E a ler sartre
Tirado daquiSim, devagar,
As pessoas,
Os instintos que desperdiço,
A verdade empacotada e desiludida,
Nada faz de uma intenção precipitada,
O certo,....
Aquilo que faz de um fim de dia a vantagem,...
E para duas pessoas diferentes,
Ser igual nas pretensões,
Nas desilusoes,
Torna falar assim efetivamente impressivo,...
Capaz de deixar realidades
tatuadas
Tirado daquiÀ primeira pancada desordenada,
Que deixou marca profunda,
Quase como um prenúncio de fatalidade na pele,
Perdoou,...
Ele não estava em si,
Os dias pesavam lhe mais que os destroços da noite,
E ele chorou,
Sozinho,
Sem que para ela houvesse desculpas,
Mas chorou,....
Ao segundo golpe,
Chorou para si mesma,
Haveria de ser a mulher que tinha sido,
Mas não naquele momento,...
E à terceira violência,
Que voltou a deixar marca,...
Sangrou da pele alva do rosto,
Disse que sim a um livro,
Que releu até ter coragem,
De mudar a vida noutro sitio
Tirado daquiEmprestaram lhe o namoro,
A infância,
O trocar das pernas com quem se ama,
Em projeções conjuntas de corpos,....
E fizeram dele o silêncio,
Aquele momento da madrugada que é escurecido,...
Mas cheira a magnólias espalhadas pelo chao,
E à total ausência de desculpas,
Pelo desrespeito indefinido de qualquer coisa,....
Espreitou à rua,
Sozinho e pensativo,
Um gato fixou o nos olhos,
Como se falasse a sua língua
Tirado daquiO que é terror desprende se da mão,
Perdoar,
Ou um desenho anacrónico desalmado pelo chão,
Substitui o choro,
E querer moldar um sorriso,
Numa cara de compromisso,....
Assim,
Parece me certa a água que corre à porta de casa,
Porque ainda não será daqui a pouco,
Que o mundo poderá ser deixado em pausa
Tirado daquiDe ti recordo o dia, mês, ano,
O tempo resguardado num discurso,
Estapafúrdio O suficiente,
Para que fosses tema em ti mesma,....
Sem a tua essência,
As mãos na mesa,
Os corpos de cada segundo que ocultavas,
A página virava se com mais dificuldade,....
E aqui,
A chuva pesa,
E o sol evapora mais do que antes
Tirado daquiNao posso estar mais aqui,
Cheira a ódio,
Sim essa pequena mala envelhecida,
E as dores nos olhos que sinto,
Entristecem me de uma forma atroz,....
Tenho a noção aperfeiçoada da ruína,
Sem que a aceite mas ela está cá,
E por isso devo seguir,
Nunca confiei em caminhos,
Só em sugestões de fracasso,...
E isso segue uma possibilidade
Tirado daqui