Eramos duas pessoas desesperadas, sem saber o que fazer à forma como o tempo nos pressionava. Aquela forma de estarmos juntos, de completarmos as frases um do outro, de nos certificarmos que o Inverno lá fora não nos atingia, e que da quentura de um momento juntos, fazíamos horas a fio de aceitação mútua, parecia estar a chegar ao fim. Não era culpa de ninguém. Apenas soava errada a forma como a água ainda corria, ténue, quase muda, no extremo daquela casa. E como um gato, envelhecido, desiludido até, tinha dificuldade em escolher um local de descanso. Ia acabar, e não poderíamos fazer nada para evitar que os toques descomprometidos que cedíamos, aos nossos imperfeitos seres, tivessem de acabar sem perspetiva de poderem ser retomadas.
| Foto de 2011 |
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Acha disto que....