domingo, 9 de outubro de 2011

Blood


faz com tu e por,
menos serás contigo e só,
à hora o segundo,
terceira pessoa de singulares,
plurais consciências que azulam escuros,
avanço que sim,
parto pelo não,
e no fim princípio,
restas parte,
somada de nada,
ao vento....

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Parar


parado,
soluço crasso com
infecto contágio,
desnudas,
impossíveis constatações
desenquadradas,
e dois homens
de misencéne prostrados,
com dúvidas,
de que factos,
são argumentos implementados,
na futura desratização
das mentes das águas paradas.....

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Isto é que é o prémio Nobel de 2011? Nem é pelo homem ser sueco nem nada....



HISTÓRIAS DE MARINHEIROS (1954)
Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.
Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.
(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.
Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).
***
A ÁRVORE E A NUVEM (1962)
Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
***
DESDE A MONTANHA (1962)
Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
***
PÁSSAROS MATINAIS (1966)
Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.
Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.
Não há vazios por aqui.
Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta como foi caluniado
até na Direcção.
Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:
Não há vazios por aqui.
É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.
Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Texto #90

Tremelicava o pulso. Gostava de o fazer, mas arredondando a situação de forma a que ninguém reparasse. Era uma nova velha, ou uma velha com tiques  de nova. Gostava ainda de se chamar insuficiente desculpa de ser humano com quem nada se pode conversar. Era pendurada nas situações menos claras que este sentimento criava, que passava as noites. Abraçava-se ao picotado do escuro, sempre com o pulso a tremelicar. Se não o controlava, arrastava-se no turbilhão que a situação proporcionava.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Falou sobre qualquer coisa....

sobre matrícidios respondeu com sobranceria, 
de mão oculta no ar, 
e a pena da dúvida encravada sem som, 
dissertou momentos incertos de qualquer coisa, 
‘e se eu consentisse princípios, em vez de ideias’, 
‘para o mundo acabar  restam inconsistências’, 
tudo são prematuras desculpas quando nem se antecipam perfídias....

terça-feira, 30 de agosto de 2011

É pah, que é bué gira!!!

Texto #91

Amanheceram-se assim várias coisas, em desabrochar de céus azulados. Era um carro que conduzido pelo frustrado da terra tentava não morrer a meio da subida. Pela berma da mesma estrada, procurava-se qualquer coisa pelas pernas de uma velhota desgastada.E cá em baixo, dois petizes com cabelo desgrenhado mas olhos felizes como o desterro nos sonhos, chutavam uma bola em carcaça, insultando-se carinhosamente.
Apetece descrever tudo isto, mas ao mesmo tempo o silêncio, a cruel brutalidade do não dizer nada, talvez fosse a melhor forma de cativar atenções.De dizer às pessoas leiam isto, porque os  sonhos são qualquer coisa que se assemelha ao som que se solta assim. E parecia ser isso que por aqui se respirava.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Depois de almoço III



Se muitas coisas se desfizessem como parte daquele fogo lá do fundo. Consoante as situações. Mediante os pontos de vista de quem analisa tudo chorando pela futura desilusão dos segundos atrasados que, juntos, não fazem nada mais pela tua vida. Aposto que ao decifrar tamanha confusão, conseguiria desfazer primorosamente tudo o que me dás como garantido. 
Talvez sejamos aquelas duas mulheres que em ziguezagues se expressam andando, como uma só. Em dois pés. Com dois corações. E com uma cara redesenhada a sangue quando te toca, deixando-te para trás sem respostas a nada que verdadeiramente importe. Não me resumas nada sem ser desta forma. Apelando a minuciosas interpretações do singelo. Da fraudulenta visão que temos do mundo. Conforme o escrevemos, mais ele se esvai no invisível....