A cozinha parecia preparar-se para uma manhã alegre. O sol matizava-se num caleidoscópio de cores insinuantes, filtrando se pelos vidros das janelas amplas e alegres. O cheiro dos condimentos espalhados em peças de loiça tradicional espalhadas por vários cantos, pedia mantimentos fartos. Eram odores acres, misturados com o tradicionalismo das virtudes portuguesas na cozinha. E passamos agora a descrever quem se responsabilizava por este circo de alegria. Deolinda era uma mulher neutra. No seu âmago achava-se assim. A primavera da vida já lhe tinha escapado, e com ela a voragem do tempo tido como um obstáculo, e não como era agora:um simples e escorreito copo do mais puro dos vinhos. Jogava bem os sinais do envelhecer, com a necessidade de nadar no lago revolto da condição feminina.
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
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