2025/03/26

E eu escutava-o

 -afinal de contas, todos os dias haverão noticias de bebidas algures, enquanto o povo anda sequioso. Dir-se-à da comida que é escassa, que poderia estar mais barata, mais disponível para o povo. E até que não há cultura em lado nenhum. Que as pessoas acordam estúpidas, e adormecem com um prazo estipulado para qualquer coisa,....

Via-se que ele acreditava nas coisas. No que estava a dizer.  Inspirava para a entoação das palavras, as pausas eram reveladoras. E eu escutava-o. Com aquele meu ar de culpa, que sei que se apodera do meu sobrolho esquerdo sempre que não me sinto à vontade com algo. E além disso, leva-me ao ridículo da repetição de mantras sem sentido, num tom inaudível para as pessoas que estão junto a mim.
Mas eu não era o que contava. Era aquele homem que eu nem conhecia, e tinha encontrado num dos passeios sem destino que me aprouvia dar nos últimos tempos. Estava disposto a escutá-lo, perceber de onde vinha, e o que na realidade pretendia.  Afinal de contas, não me custava nada. Não tinha nada para fazer nos tempos que se iriam seguir
                                                                              Tirado daqui

“Trust Issues”
De: takiisbranding ou Bruno Cæsar

6 comentários:

Acha disto que....