sexta-feira, 4 de setembro de 2026
E é solitário,...
Porque é Solitário falar do que achamos que ja fomos,
E há um homem alto,
Que finge passear crianças pela mão,....
E uma mulher fantasmagorica,
Acentuada nas esquerdas e laudatoria nas direitas,...
E é Solitário,
Talvez abrir mais a boca,
E redige se o nome e a data,...
Para que se satisfaça
quem não é da casa
Tirado daquiquinta-feira, 3 de setembro de 2026
Chama me religioso,...
Eu não disse quem me podia salvar,
Não defini a temperatura do chá,
Nem sei se és melhor na poesia,
Ou em descrições puras de cenários de rotina,...
Nada passa por mim entendes,
A cor da minha pele exala transparência,
Os meus olhos não sabem definir,
Por nunca terem visto um horizonte,....
E hoje em dia espero da noite,
A paz que ela nunca me deu,...
Chama me religioso,
Se quiseres
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| There are two means of refuge from the miseries of life: music and cats. |
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Que deixei de ouvir
As plantas têm anemonas,
Um pontinho de mar apenas,
E um cheiro inofensivo e também literário,....
Trouxe te para escreveres algo assim,
Uma paisagem de um mar saturado de sujidade incompreensível,
Com árvores alargadas,
À beira mar,
Que se curvem à indiferença,
E perpetuem o silêncio sobre o amor, ...
De qualquer destas formas esta é uma pressão admitida,
Querer fazer de ti a presença e a herança das ondas,
Que deixei de ouvir
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Setembrando a 26 de Dezembro de 2025
Nao são as nossas vitórias,
A sopa fria que nos servem ao final de cada tarde,
Nem é um pedaço de pão que nos confiam por pena,
Nada é a verdade inquestionável,
Nem a loucura instalada numa casa isolada,....
Descreve me tu o à vontade que,
Para mim,
Não existe nesta questão,
Sou o farol de estranheza nesta porção de loucura,
E não entendo,
Só talvez se me recitarem algo irracional
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Elas que disseram,...
domingo, 30 de agosto de 2026
A voz imprópria da previsão
sábado, 29 de agosto de 2026
E andei por sitios afiançados,
Escolhi parar o tempo. Foi uma decisão intempestiva, tomada num final de tarde como os outros,....
Em que as letras se juntavam em cacho,
Com laivos de clima tropical,
Ao lado dos homens silenciosos que escolhiam acentuar a vida,
Sentados no mesmo cafe de sempre,...
E andei por sítios afiancados,
Promessas de paraíso que nunca antes havia conhecido,...
E apenas para que a razão fosse minha,
A mim viessem os laivos de uma filosofia moderna,
Efetivamente transformadora,
e que adiasse os pormenores estouvados de uma existência isolada,...
Agora,
Dois decimetros de dia depois,
Vejo que falhei no meu propósito,
O dia corre ainda,
fétido neste ribeiro escurecido
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Diz me para dizer...
| Man with a movie camera (1929) De: Dziga Vertov |
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Havia livros constantes,....
Vilma insistia em adormecer para o poente. Era um nome que lhe tinham posto, e convencia se que, por ser estranho, fora do comum, a obrigava a seguir um caminho de nao retorno, que a distinguisse da normalidade enfadonha. Nao é que os últimos raios de sol de um dia ainda entrassem, desmamados, pela janela do quarto, quando ia dormir. Mas o propósito era fechar os olhos sempre para o mesmo sitio. Havia livros constantes em cima da mesa de cabeceira de pinho, e poderia dizer se que fossem um obstáculo à luz. Mas se ja era noite escura, isso nem se colocava. E havia ainda o pormenor de Vilma exigir de si mesma o contacto da pele nua, com a suavidade dos lençóis. Eventuais companhias não se colocavam. Vilma forçava se a soltos pensamentos de prados acastanhados, algures no que conhecia da Escandinávia. Que lhe deixassem os pulmões ficcionalmente cheios de ar, o que providenciava aquele torpor cerebral que conhecia, mas preferia não definir. E o sorriso. O leve esboço de art deco, que a emoldurava como se estivesse perdida em qualquer museu do mundo. O amanhecer fazia terminar o bordar subtil do vestido transparente que Vilma desejava para si.
| Man with a movie camera (1929) De: Dziga Vertov |
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
....o recurso do gemido
Se por trás das flores,
Contas feitas ao lado da terra,
Enegrecida e sem idade,
Se sobrevivesse sem letras,....
O recurso do gemido,
Comprar amor sem o poder do argumento,....
Escolher quem manda à frente de decidir quem parte,....
Se por trás das flores,
Hoje fosse a força que perdemos,
A forma de uma base,
Circular e experiente
| Man with a movie camera (1929) De: Dziga Vertov |
terça-feira, 25 de agosto de 2026
....a honra é algo que não se apregoa
Dizer que nasci por engano. Com a contribuição do acaso. Que a senhora minha mãe nunca realmente me planeou. Que na sua cabeça apenas pulsava a ideia de um filho:nunca o mais velho nem o mais novo. Apenas um. O que monopolizasse os beijos de inverno, e os copos de refresco açucarado de verão. O que tivesse tudo em tamanho único, roupa, meias, sapatos, discos, livros de colorir. Eu surgi numa madrugada de meio de Outono, com chuva mortiça, e caminhos de rotina na rua semi cheia de um dia semana, porque, defendia e praticava a senhora minha mãe, a honra é algo que não se apregoa, pratica se. Isso não impede que tenha sido um engano. Uma volta ao túmulo da ansiedade e das decisões mal tomadas, que os meus progenitores deram. Juntos, apesar de tudo. A minha pele clareou como um engano, à medida que crescia. O meu esqueleto alargou. A minha voz sumida, vencida pela timidez doentia, rodeava me de noite, na cama, no espelho das manhãs. Na leitura monótona do resumo das novelas. Cantava em surdina ate canções, que faziam de mim um gigantesco ponto de interrogação.
Tirado daqui





