Estava trauteada aquela música. Parecia que tinha notas musicais engalfinhadas, quase como o pasodoble desnorteado que a rádio vomitava, de quando em vez, nas tardes de chuva miudinha que convidavam a ficar em casa. Falava sobre um amor recitado. Um amor analfabeto, de dois andrajosos que resolveram apoiar-se na miséria, depois de se terem rendido à animalidade que advém da falta de perspetivas.
Dizia que sentir-se bem com o outro, é quase como despir a pele, e voltar a vesti-la do avesso. Por entre os acordes da guitarra flamenca, parecia ouvir-se um choro igual ao dos velórios. Baixinho, quase impercetivel.
Dizia que sentir-se bem com o outro, é quase como despir a pele, e voltar a vesti-la do avesso. Por entre os acordes da guitarra flamenca, parecia ouvir-se um choro igual ao dos velórios. Baixinho, quase impercetivel.