dezembro 01, 2021

Dezembrando a 20 de agosto

 começa com um “estive algum tempo longe daqui”. e não havia capitulares nas frases. Nem murmúrios que furassem a fortaleza dos teus lábios. tudo se pintava da cor da tua pele quando, nua, era uma fortaleza de silêncio que te rodeava. e eu ficava ao longe, como o invasor que o povo rechaça, mas secretamente deseja.

agora voltei. não tenho nome. nem idade. desfiei-me, desintegrei o meu ser em tantos livros. bebi o suficiente para não voltar a ser o mesmo em cada dia, e ter uma idade e uma experiência de vida diferentes, em cada vez que me enfrentava ao acordar. 

chamo-me anónimo, agora, com a honra que consigo carregar às costas. e tu, como te chamas? não te conheço. sinto nos ossos que me expulsaste dos teus sonhos, e revejo-os agora, frame a frame, negros como a noite que me furava os olhos, por cada janela que espreitei ao longo de todo este tempo. 

não há virtude nisto que te digo, ou escrevo, conforme te adaptares melhor. Só o desespero suficiente para, se quiseres, espalhares no pó do chão desta casa, em versos que não façam sentido. já cá não estarei quando, e se, florescerem

12 comentários:

  1. Quando partimos, se regressarmos, já não somos o mesmo.

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  2. Gostei do texto, uma prosa poética com sabor a despedida.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

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    Respostas
    1. Ainda bem que gostou juvenal
      Tb gostei de o escrever
      Abraço

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  3. Hermosa reflexión.
    Un fuerte abrazo y feliz semana.

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  4. Gostei muito.
    Somos, tantas vezes, anónimos para quem não o desejávamos ser...

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    Respostas
    1. A cada dia que passa essa é uma ideia cada vez mais oresente
      🙂

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  5. Texto incrível!

    Boa semana!


    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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