quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pobreza perpetuada


Acabei de ler um texto muito bem escrito, publicado hoje no suplemento ‘P2’ do Público. Versa sobre a o plano de ajuda social recentemente aprovado pelo Governo, apresentado pelo ministro Pedro Mota Soares, e ao que parece já assimilado pelo povo português. Começando pelo fim, recordo uma citação sábia do sociólogo Manuel Villaverde Cabral: ‘e os protestos?’ Seriam com certeza o factor equilibrador da balança na primeira facada séria que este governo de liberais dá no coração do magérrimo estado social que ainda vai existindo por cá.
Entregar gestões de problemas sociais a caridadezinhas, dá em desconhecimento completo das possíveis soluções para problemas de longo prazo. Admito que é tudo muito confuso o que escrevo, porque reconheço que ainda não organizei na minha cabeça ideias sobre os princípios políticos que reconhecidamente me norteiam, e a melhor forma de os aplicar num mundo que já nada tem a ver com a época em que os mesmos me foram inculcados. De uma coisa, no entanto, parecem não restar dúvidas. Um país não se governa, conforme perpetuou Mao Tse-Tung, dando peixes às pessoas. Este plano passa ao lado de factores fundamentais como a educação, a responsabilidade governativa na consecução de planos que fomentem a saúde e a habitação como direitos básicos constitucionais. Em vez disso, são deixados a critérios privados, com a consequente falta de regulação que daí advém, a aplicação de políticas que, insisto, passam ao lado da raiz dos problemas.
Custa-me a ver velhinhos a tomarem medicamentos com o prazo quase a expirar, com o Estado a refugiar-se na desculpa de que está estrangulado por ditames estrangeiros que impedem que se gaste dinheiro no que quer que seja.
O investimento na produção urge neste país. São consecutivos 35 anos a passar ao lado do trajecto normal de um país para o desenvolvimento. E os reflexos hoje são os números assustadores de pobreza. Solução para isto encontrada pelo Governo? Precisamente perpetuar a pobreza, pretendendo atingir três milhões de pessoas com um plano de paliativos.
Se calhar fico-me por aqui porque falar sobre confusão, ainda acentua mais a confusão. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Intróito....

debruçados em papel,
subidas as constantes
das novas funções
do Sol,
permtiram-se muito
mais que simples
indecisões com que o
carvão das noites pintou-
nos a suspirar por mais....

domingo, 7 de agosto de 2011

Velhos tempos.....:-) Escola Primária n.º1 das Areias, Setúbal

Aqui só havia um banquinho do lado direito, e o chão era alcatroado
A parte da frente está parecida, à excepção das entradas nos dois blocos do
edifício. Há 29 anos, quando eu aqui entrei, eram três degraus frios de mármore
em cada lado.
Os meninos agora têm direito a campo de basquete.
Na minha altura isto era tudo alcatroado, o muro
branco cor da cal, a rede verde, e do outro lado arbustos
com amoras e azedas, a separar da Casa do Gaiato.
Os meninos maus...:-)
No muro à direita pintei eu com aquelas ervinhas verdes,
que tinham dentro uma seiva
castanha. Valeu-me uma ida ao gabinete do Professor Agostinho.
Lá ao fundo era
a sala de refeição dos professores.
Muitas torradinhas comi lá eu. E ao meio, como
parece ainda ser, eram os sanitários....

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fraccionado

Subsidiado pela dor. Estava assim descrito no pequeno boletim de papel ratado que guardava na mesa de cabeceira, dobrado em quatro, e com cheiro de qualquer coisa que estava para acontecer. E ficavam-se por aqui os sintomas de auto-estima que demonstrava. À noite, ainda tentava pensar em coisas consubstanciadas no destino. Como o desfazer de aplausos. O entardecer adormecido pela forma intensa como as ondas morrem na praia. Mas nada parecia querer partir e regressar com intenções de ficar para lhe garantir a felicidade.
Assustava-se com pouco. Até se o dia nascesse com menos dois raios de luz na bruma em que gostava de se deixar levar pelo sono, permanecia quieto com medo que o mundo fosse acabar. Outra das coisas sobre as quais escrevia. Dizendo-o em voz baixa, obtinha textos consistentes. Com princípio, meio, e os fins que lhe apetecia. Sempre negros. Nunca de finais felizes. O auge roçou-o na pequena carta de uma menina apaixonada por um cantor, que descobriu gostar de ser mulher, e depois quis levar a sua própria vida na falésia mais bonita do país onde habitava. Tudo veio a esfumar-se na infelicidade de trazer assim qualquer coisa de desastroso que não se explica.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Local de discussão


como solução inevitável do ser,
estavam duas rotundas e inefáveis interrogações sentadas à brisa,
diziam amar a própria forma como se contrariavam,
e lambiam as feridas ácidas e rotundas do negativismo de cada uma,
ao cair a pique no céu de inverno,
o sol recusou ouvir semelhante impropério,
era como se o tempo só aceitasse auto limitar-se quando as opções se esgotam com o vento,
sendo assim ficavam aos homens as tarefas insondáveis de decidir o vencedor desta discussão,
pelo menos quando ela não acabasse mais.....

domingo, 3 de julho de 2011

Haja alguém esclarecido.....

ECONOMIA UE: Ex-chefes de Estado e de governo, incluindo Jorge Sampaio, defendem
"new deal" europeu para superar crise



Berlim, 03 jul (Lusa) - Um grupo de ex-chefes de Estado e de Governo,
entre os quais o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, exigiu hoje
um programa de investimentos na Europa para dinamizar as economias, em vez
de medidas de poupança.
O programa, inspirado no chamado "new deal" norte-americano, destina-se
a "garantir a sobrevivência da zona euro e a sua coesão económica", diz-se
no manifesto dos antigos dirigentes políticos, revelado hoje pela edição
Online do semanário Der Spiegel.
O "new deal" foi um programa de reformas adotado nos anos trinta do
Século passado nos Estados Unidos da América para fazer face à primeira
grande crise económica mundial, reanimando a economia através de vultuosos
investimentos do Estado.
Além de Jorge Sampaio, subscrevem o documento o ex-primeiro ministro
belga Guy Verhofstadt, o ex-chefe do governo italiano Giuliano Amato e o ex-primeiro ministro francês Michel Rocard, nomeadamente.
A iniciativa partiu do diretor da Faculdade de Economia da Universidade
de Atenas, Yanis Varoufakis, e do político trabalhista britânico e professor
de economia Stuart Holland, noticia a mesma publicação.
Os signatários propõem que as verbas para o referido programa de investimentos
europeu sejam recolhidas através da emissão de obrigações do tesouro de
todos os estados da moeda única, os chamados euro-bonds.
A emissão deste tipo de obrigações tem sido recusada, no entanto, por
boa parte das grandes economias da União Europeia, nomeadamente a Alemanha,
a França, a Holanda e os países escandinavos.
Entre os responsáveis europeus atuais também há, no entanto, adeptos
desta solução defendida pelos antigos políticos, como o presidente do eurogrupo,
Jean-Claude Juncker.
Os governos da Itália, Grécia, Espanha e Portugal, defenderam igualmente,
no auge da crise das dívidas soberanas, a emissão de euro-bonds, nomeadamente
para obter empréstimos em condições mais favoráveis para os países que tiveram
de pedir resgates à União Europeia e ao FMI.
Os ex-chefes de estado e de governo propõem ainda que as futuras receitas
dos investimentos a implementar deveriam servir para abater os empréstimos
contraídos em euro-bonds.
Segundo os subscritores, as obrigações do tesouro europeias "teriam
grandes hipóteses de atrair excedentes de fundos estatais e capitais de
países emergentes, e ser vendidas por juros relativamente baixos".
Por isso, a UE "não só deveria juntar verbas para investimentos através
dos euro-bonds, como também devia trocar uma parte da dívida contraída por
países como a Grécia por este tipo de obrigações do tesouro", afirma-se
na mesma declaração.

sábado, 2 de julho de 2011

Duas cabeças


encaixas-te nas cabeças múltiplas do desejo,
se somos momentos destas confusões baças,
discorrem em nós soluções mentecaptas de versos do diz,...

do disse,
do se fossemos algo nada disto teria morrido para nascer,
e como faríamos para que à parte de dias enfiados em nós de dedos,
esquecendo momentos paralisados com sufocantes indecisões desnorteadas,
um dia quiséssemos parar para pensar nas soluções efectivas do acabar dos dias....