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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Confissão desmaterializada


 Chamo-me,

Fica ao teu critério esse pechisbeque de como,

Achamos que nos devemos chamar,

Sei que tenho uma coluna vertebral de vidro,

Braços e pernas que se espraiam por letras e letras sem sentido,

Se aqui estou a dizer-te estas histórias inconsequentes, 

Que se bem me lembro a boa educação não me permitiu,

Apresentar à discordância de ninguém, 

É porque tenho confiança de que tudo vai correr bem,.. 


Ninguém sabe de mim, 

És talvez tu a única pessoa, 

que partilha monóxido de carbono comigo, 

Desde há muito tempo, 

Por isso espremo o melhor de mim, 

Até que a noite me leve a desaguar em qualquer outro sitio 

domingo, 31 de março de 2019

Absolutamente Maria sem nome

maria,
por equívoco,
refugiada estava
num quebrado mutismo,...

sem parecer,
nem contra senso perto
de qualquer coisa arredondada,
abandonada estava na
lateral infetada da solidão,...

inscrita na escrita,
perecia num qualquer
verso que lhe lembrava o amor,
os braços perdidos de quem
lhe foi guarida em noites sem nome,...

e hoje lá longe a deixa banhada
no esquecimento,
talvez merecido,...

e por fim o abrir
o Novo Testamento da
longa noite que custa
a passar,
recuperando a Maria,
sozinha,
de pleno direito