2010/12/12

Regresso XIV / A Cena do Ódio (A Mário Viegas)





Eis senhores a gula,
a parte solta do peido da outra,
a mulher farta de poucos
costumes com que se sobe a rua
para depois descer a partir de
ventos que só nos
levam bocados do que
éramos antes de nos perdermos,
o perfume,
o adeus traduzido em tanta
coisa mas ao mesmo tempo
pouca com que nos vamos
dizendo adeus aos poucos
deste rame-rame das
metálicas maneiras de
escrever porcaria,
se somos o que provavelmente
a sermos,
dizemos amanhã o que agora
nunca conseguiríamos dizer
às costas das nossas mãos,...


eis senhores a vontade de comer,
o desnorte com que parecemos
nem ligar ao quarenta e dois de sonhos
que nos traz para casa depois
de outros microbiarem o poucochinho
de muito que a nossa mãe nos deixou
depois de afagar a cabeleira que já
cá não está para nos proteger,...


e agora deitado senhores,
resta-me só partir para melhor
expressar o que com isto aberto ficou,
a vida solta nos redondéis de coisas destas,
talvez sirva para palitar dentes gastos que
os soltinhos de espírito usam para
escapar aos desígnios da morte de todas
as cores,.....

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