6.7.18

...só o chora o cão mais livre daquela invernia

qualquer coisa a um tempo
escrito a diáfano,
enrolado na cacimba surge
o velho das madrugadas,
casa despida de segundos
esguios a escorrerem
pelas paredes,...

desce o empedrado
 trôpego,
ar metido para dentro
com névoa da morte,
vai parar na esquina
 para jurar aos finados
 que há-de comer amargo
nesse almoço,
cruza-se com o fungar
do cão mais livre
daquela invernia,
cheira-lhe o rasto
e evapora-se no nevoeiro,...

a luz daquele lugar
 abre um olho,
e depois
mais um,
do céu escrito a
chumbo descem
poemas de fim,
há um coração
cansado do espirrar
dos dias,
tombado com
duas pernas
e dois braços,
e um halo debruado
a conformismo,
morto,...

só o chora o cão
mais livre daquela invernia


2 comentários:

Carolina Sofia disse...

Muito intrigante. Lembra-me a frase de "empurrar a vida com a barriga". Gostei imenso. :D

Porventura escrevo disse...

Obrigado Carolina.
:-)

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