13.7.20

Aleivosidade

Das poucas vezes em que o repetido da voz ecoou,
Sentia-me tão só,
Mais do que alguma vez o pudera ser,
Ouvia a aleivosidade do tempo a passar,
A insultar-me e rebaixar a força do querer que já não tinha,...

Caminhei com um propósito difuso,
Ao longo de estridentes sonhos que a água dos rios que encontrava parecia ter,
Até que ao longe,
A forma de uma ilusão entoou um hino de perdição,
Sentei-me a escrever a obra prima de todas as mães que se desiludiram com a vida,
E depois mirei o nada que me restava


12.7.20

Just because i want to see books on fire

Pontas dos dedos


as pontas dos dedos,
dói-me o que lhes aponta,
a premissa de erro estava
esgotada,
e não saberia a forma,
nem o conteúdo de uma desculpa,...

restava a palpabilidade,
o desgosto anónimo de teorias
rotas,
gotejantes de ódio,
e que não dariam nunca forma
à harmonia,....

as pontas dos dedos restavam-me
à noite,
e a consciência para uma eternidade
improvável

11.7.20

Formato das mentiras

A maior fatalidade é aquela que não nos desnorteia,
Ao invés deixa-nos seguros,
Anormalmente indecisos com o formato das mentiras,...

Corre tudo bem assim se a luz nos acordar sempre da mesma forma,
E nas nossas casas se alumiarem as indecisões,
A ponto de a parcela decisiva da noite,
Ser a que menos se sente



10.7.20

Passado e presente

inneroptics:
“inge morath
”


Pai,
Lembras-te de mim pai,
eu parava a tua tristeza,
punha a minha mão branca no teu rosto,
adocicava o teu respirar pai,
lembro-me bem, 
era o que me dizias, 
enquanto me acariciavas
com lentidão ternurenta,

com a tua mão sempre fria,
sentia a tua tristeza como um nódulo
na minha voz,
ela estava lá,
quando baixavas o olhar,
e desenhavas o teu destino no chão
poeirento da nossa sala,...

sentava-me a teus pés,
apalpando mundos de ouro com 
o limite do meu desenhar,
pai, 
agora volto para casa,
não está lá ninguém,
mas é a minha casa,... 

sem ti

Meio

Este sou eu,
Sem que consiga ter os meus sonhos direitos,
As minhas prioridades intactas,
Sentia-me como um par de pulsos cortados,
Na coincidência de haver lages incompletas neste livro 

9.7.20

Escamas espalhadas da existência

junto ao meu esqueleto estão pequenos rabiscos,
Desejos sem sentido,
repreensoes de que fui sendo alvo enquanto,
Enquanto o tempo o foi permitindo,...

a terra pesa-me o que está ao meu alcance,
e deixa-me brincar com as irregularidades da caligrafia,
apreciar o que se esforçaram por me dizer,
e a influência do medo naquilo que me foi ocultado,...

Enquanto sujeito das escamas espalhadas da existência,
conformo-me com a inevitabilidade da decadência,
Sem retorno e sem odor



8.7.20

Encontro


já chegaram?
combinámos encontrar-nos onde
a solução terminasse,
e o problema persistisse,
mas não vos vejo,...

talvez aguardando onde a luz já 
não se nota,
e a solução está prestes a 
perder validade,
seja produtivo,...

talvez me encontrem,
provavelmente irão ignorar-me,
não importa,
aqui acho que me sinto bem.
se alguém aparecer,
irei apresentar-me como equívoco,
o tal que se veste mal,
cheira a cadáver arrastado pela
Peste,
e nada sabe dizer em sua defesa,....

muito prazer

7.7.20

Audácia

Espranto,
Português irregular,
Francês impercetivel,
Inglês de estendal,
Sueco furado,
Swahili de mercado de peixe,...

E cada vez menos,
E menos,
E menos,
Audácia para mudar


6.7.20

Ser em construção

Não sei comentar poesia,
Nem prosa,
Nem versos salteados mas profundos,
Cozinhados e consumidos ao final de qualquer tarde sem nome,...

Saberei,
Quanto muito,
Falar anonimamente sem propósito,
De forma empenhada,...

A poucos dias de me revelar como
Ser em construção,
Fica a saber que não sei comentar como precisas,
Pelo menos poesia


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