23.10.20

Extremos

 Não me sinto obrigado 

a escrever poesia que toque extremos,

Nem se o transporte me 

chegar todos os dias atrasado,... 


O limite dos números 

indefinidos da minha memória,

É só meu,

Sem que o cenário de trespasse

 sequer se coloque,...


O recurso único à escrita sinto-o 

nas frases esdruxulas,

Na acentuação própria 

de medos corpóreos,

Que por vezes citam 

autores por si só,

Alinhados com o enquadramento 

político da época,...


Só entende a minha escrita o ser humano 

preparado para relegar o sofrimento,

Para o altar,

Onde o mesmo pertence 




22.10.20

Hora de almoço

 

Importunações

 


Resiste,
Não há mais por onde efetivar, 
Construir importunações ao desejo de fechar os olhos ao desmando,
Aos casacos desabotoados do conformismo,... 

Há países de todas as cores, 
E cidades a quem faltam sons, 
Formas abjetas para instar ao felacio invertido,... 

Por isso resiste, 
A toda a hora vale a pena desmatar o que virgem está, 
E guardar o melhor da luz

21.10.20

Início do desânimo

 Nunca se sabe se o desejo do dia de hoje,

Será o último,

Ou o primeiro de uma orelha de novos sons,

De outros sonos,

De descansos que pesam tanto no leito de suposições em que nos habituamos,

Ainda a descansar,...


E eu renovo uma anotação infiel para com o ar corrente,

O peso incolor do que nos completa,... 


E tudo porque um grito,

Citando a poesia portuguesa do início do desânimo,

Fica sempre melhor do que um beijo apaixonado de reconhecimento 




20.10.20

Peso do horror

 Não foi por acaso ter escolhido estas palavras,

Como um paliativo,

Vestida com um vestido tradicional,

De mãos enroladas a todas as crianças possíveis que a teu lado cabiam,

Falavas com os olhos,

Eu via-te chorar vendo-te sorrir aprumada,

Para que quem por ti passasse se sentisse feliz consigo próprio,

Saindo e reentrando na própria vida,

Com o ofegar de uma pausa numa sentença de morte,...


Mas porque não falavas,

Me dizias a plenos pulmões o quanto estavas infeliz,

E que esta era a história de quanto uma flor pode pesar mais que um horror,

E em cima de um horror podemos dormir até para sempre,

Por sobre milhões de mantos de flores senhoriais,....


Se não me respondes,

Numa carta enviada ao sol,

Diz-me como influenciar a rigidez da ausência,

Inconstante e inconsequente é este afastar para o abominável 




19.10.20

Vento argumentativo

 


temos de combinar qualquer coisa,
entre o que nada se faz,
tudo o que cheira,
e a porção escondida de
uma coisa mal resolvida,...

escolhe o sítio se quiseres,
por mim tem apenas de
ser arejado o suficiente,
para se sentir a brisa 
a contar-nos coisas novas,
enrolada nos intervalos dos
nossos rostos cansados,....

acredito num vento argumentativo,
talvez como expressão máxima
do impressionismo da natureza,...

e no regresso a casa,
depois de termos esgrimido tanta coisa
sem importância,
como a cor do adeus,
as ilusões que o tempo nos
parece dar,
mas que mais não são do
que sentenças 
encapotadas de imobilismo,
depois disso tudo,
a espera de amanhã haver
mais,
será agradável,
assim acredito

18.10.20

Irascivel

 a ousadia leva 

ao irascível, 

às coisas sem tento,

 e tanto que se me oferecia 

dizer das reclusões 

sem tempo, 

e dos livros comidos 

nas pontas pelos vermes,... 


tudo o que vimos 

e esperámos cair em pé, 

veio de ‘chofre’, 

derramar-se aos pés do tempo, 

deixando-o sem idade, 

sem expetativas,.... 


irascível pois o 

que deves ler no rodapé 

deste galicismo, 

tudo o que te mando, 

defraudei as pessoas 

na Place Pigalle, 

enquanto chovia, 

e eu morria aos bocadinhos, 

acobardando-me




17.10.20

Incómodo feito poema

 


Sou o cigarro que nunca fumaste, a frontalidade anónima que te assusta, às duas melhores razões para a loucura, respondo conforme queiras, com o silêncio possível, o barulho retalhado, dificil de discernir, e que sei que te assusta,.... ao menos que a pena solta, escrever assim linhas sinceras, nos faça adaptáveis um ao outro,.... porventura o mais longe que rescindo esta vontade de magoar, seja o fim abrupto de um incómodo como este, feito poema

16.10.20

'tum-tum-tum'


 

achava melhor esperar,
sempre aquele 'tum-tum-tum',
que lhe descascava os ouvidos,
com a segurança imposta por 
a mesma distância que a fazia chorar,...

vestido roto,
transparência aos olhos de quem queria,
remoía nas músicas certas apenas
porque sim,,...

e sem mais para dizer,
achava sempre ser melhor
esperar,...

existia uma nova geração de 
criação literária,
que a assustava,
com pé-ante-pé,
antes da loucura,
e à porta de qualquer coisa
inofensivo,
mas perigoso,
,
esperar,
sempre alongava a vontade
ignóbil de falhanço

15.10.20

Um dia gostava de saber escrever assim

 

Um poema de Daniel Faria

O nome parece a infância.
Quando na velhice é termos vindo
Sem pressa

Para dentro
Do nome se esvazia o corpo quando o corpo cai
É um fruto.

O nome é ainda
O modo como chamas.

O nome é a arma contra mim. O maior perigo.
Com os teus lábios podes destruir-me.


em Explicação das Árvores e Outros Animais, Vila Nova de Gaia: Fundação Manuel Leão, 2ª edição, 2002,  p.53

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