26.6.19

descaso

descaso de palavras,
alumia duas vezes
 não saberes assoberbar,
 brincar com sentimentos,
na rua,
pelos pés arrastas
choros desfiados,
e eu a lavar,
sem levar nada em troca,....

e por fim,
 quando me doem
 mais as noites do que as madrugadas,
levo de descaso
o que pago ao meu
lado pobre de incêndio


25.6.19

acabou-se a espera

...sem que saibas dizer quantas vezes foste
merda em casa de estranhos,
e como que pariste tantas vezes
o que fomos,
em chãos espalhados infetos,
em redor da morte feita
luz que nos infestava
os seios nasais,
e nos dizia lamentos
embebidos em éter,...

..., tudo isto ao menos em contas 
sem quociente,
e ponto final em todas as hesitações,
acabou-se a espera

24.6.19

I feel like ziguezagueaiting today


By: Alberto Pimenta 





Olhar

olhar em modo a que sabem as coisas
que não têm sabor,
perceber como se olha para as coisas
sem limites,
mas com cheiro,
e recortes irreais de choros
sem olhos,....

deixar de olhar,
sabendo que só ouvir é
incompleto,
e sentir aproveita o sol
aos poucos no meio
de noites de tempestade,...

sem saber como dizer,
nem sequer participar no que se escreve,
olhar por ali onde o real se
afunila no invisível,
e como se percebe acabar
por onde nem se compreende,
ouvindo o som retalhado
no lastro do que se perde


23.6.19

Recordar

ao longe não parecia uma casa. Dizia antes ser uma árvore, de braços mortos, pernas moribundas, com diversas alterações de cenário, criadas talvez pelos animais que perpetuam a memória monocromática da criação. Aproximei-me, e percebi ser o local por onde passava com frequência, há muitos anos atrás. Da graça que aquele sítio teve, que de vez em quando me assaltava a mente nas noites de solidão, restava um sentido inexplicável de pertença. Mas com ramificações pelo inexplicável. Por aquilo que só se sente... 

22.6.19

Brain being damaged,.... tastefuly

"All Along The Watchtower"

"There must be some kind of way out of here"
Said the joker to the thief
"There's too much confusion
I can't get no relief

Businessmen, they drink my wine
Plowmen dig my earth
None will level on the line
Nobody of it is worth
Hey!"

"No reason to get excited"
The thief, he kindly spoke
"There are many here among us
Who feel that life is but a joke

But you and I, we've been through that
And this is not our fate
So let us not talk falsely now
The hour's getting late
Hey!"

All along the watchtower
Princes kept the view
While all the women came and went
Barefoot servants too

Outside in the cold distance
A wildcat did growl
Two riders were approaching
And the wind began to howl, hey

All along the watchtower
All along the watchtowe


Poema lamechas

o café arrefece,
esvazio em mim equívocos,
do latejar da parte
morta do cérebro
saem as finas teias de
fumo de cigarro,
o mesmo de que já nem
 me lembro,
e ficou lá atrás,
à margem dos
dias que retrato, em verso


21.6.19

Devaneio irreal

todos os que contavam para aquele sonho,
dispostos em semi-círculo,
a fumar réstias de beatas que
apanhavam do chão bolorento,
e quando conversavam ouviam-se os urros
dos desfavorecidos,
a coisa sem corpo que os unia a todos,
e tornava qualquer coisa melhor que
beber o ar só porque sim


20.6.19

Anuência

quem não me deu a chave do
tiquetaquear a lonjura,
esperar um relógio quando, à parte,
o tempo se estende ao longo do horizonte
numa madrugada de muitas cores,
que a chuva impede de nascer,....

haveria alguém,
por entre as ranhuras soltas
de desrespeito à solidão,
que me pudesse fazer a escrita
menos insistente,
mais dócil,
e por fim com uma nota de
lugarejo agradável onde adormecer


19.6.19

Cores de desmaio

as pessoas que fazem as vezes de outras,
tomando a bica da forma certa,
e à espera que o cigarro fumado inverta
a tendência de desnorte de um dia,
igual ao outro,
e desigual do outro,...

sem que nada possa ser feito para,
no fundo,
mudar as coisas antes que elas se mudem
a si próprias,...

já é demasiado tarde para que o mundo
perca estas cores de desmaio



18.6.19

Anónimo

nunca merecia ser reconhecido
pelo recôndito das ideias,
nem que o rosto acabrunhado,
em dias de chuva,
parecesse que o fazia desprender,
denegrir algumas ideias,...

e era escondido numa voz de gerações
de despercebidos,
que seguia como o ar que
está entre as coisas,
e depois se desvanece




17.6.19

Livros e um fim de tarde

....ainda me restavam alguns livros. Abri as gavetas do costume, e o primeiro foram as 'Vinhas da Ira' mal cuidadas que, naquele dia de fim de outono, me deste à porta do café do costume. Já se notava um Steinbeck esbatido, esborratado até, pela passagem do tempo. Mas ainda lá estava. Encontrei ainda o 'Ano da Morte do Ricardo Reis', o tal que me aconselhavas como um exemplo mal acabado de genialidade. E os inevitáveis 'Cem anos de Solidão', porque os ideais irrealizaveis nos escritores são uma perspetiva que pode desenhar-se.
Só memórias, tantas memórias. Ideias mal escritas. Passeios que serviram só para dizermos ao tempo que gostávamos de viver com conhecimento de causa. Almoços nos parques todos da cidade, de preferência com o vento a fazer-nos embalar tanto que parecia que degustávamos coisas simples a voar, de olhos fechados. Tantos livros, que agora não valem nada.
Só ficou a solidão.


16.6.19

Reza

reza,  rezado,  reza,  preza,  faço o que me pedes,  por isso reza,  preza,  almas mais que comes,  desces enquanto sobes,  reza,  reza,  desconfio de quê,  se nem sombra vejo,  preza,  preza-te,  e ao mesmo tempo que o sono,  reza, ...

 sim,  preza,  e no fim de tudo vens ao meu lado,  reza,  se nada mais te digo,  preza,  preza-te,  e no fim durmo, sem rezar


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