29.5.18

Ele e ela, amontoados


os dois juntos faziam um. Respiravam o mesmo ar, capazes de encher os pulmões com a certeza de que efetivamente dependiam um do outro. O dia desabotoava-se da noite à mesma hora para ambos, e invadia-lhes  o quarto com desenhos de luz capazes de depurar o tempo em pequenas frases mudas, e de contornos inodoros.
Escreviam os mesmos medos. Recitavam verbos alegres, com tons semelhantes, e tudo para pensar que a  vida sabe a morango quando quisermos que ela deixe de saber a morte.


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