8.12.18

Desalmadamente

desalmadamente,
escrevia-te assim porque 
desaprendia,
a cada segundo,
a filosofia inocente 
que me ensinaste 
em todos os momentos,
em todos os 
segundos de só estares ali,
afundada na minha 
espera pela morte da 
comiseração,
pelos horrores indescritíveis 
de não ter nada para dizer 
à música do tempo,...

aprendi-te para te conservar,
como agora te digo,
desalmadamente,
com as reservas postas 
na bolsa de fora do ter 
que dizer,
do falar por falar,
e até de achar que,
sem qualquer suporte 
sociológico,
poderemos aspirar a 
andar por cá mais 
do que alguém,
em algum sítio,
tem escrito num 
papelinho para a nossa vida,...

desalmadamente,
anda agora arredondar-te 
comigo,
sabes o meu sonho?,
explodir um dia e 
desintegrar-me mais rápido que a velocidade do som,
para ir passar o fim de tarde onde as 
tardes consigam resistir melhor à 
loucura homicida dos dias 

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