7.1.19

Continuei mesmo

Pensei nas vezes que o Tejo demora a crescer, envelhecer e morrer até que as pessoas percebam o que querem da vida. Alinhei os meus olhos com duas garrafas de vinho do Porto, que estavam mesmo à minha frente. Ganhavam pó e teias de aranha ocasionais, quase como se cumprissem pena de degredo, ditada por um juiz sem cara e sem idade.
Perguntaram-me o que queria. Não respondi à primeira. Sei que passaram alguns segundos que devo ter gasto a analisar a figura que me fez a pergunta. Um tipo de meia idade, atarracado, de pele escamada e cor de groselha . Não tinha cabelo, e quase respirava pelo espaço entre o queixo e a barbela.
Respondi um uísque. Sem gelo. Simples e capaz de me responder às perguntas que tinha naquele momento.
Acabara uma etapa da minha vida. Tinha deixado de ser cobarde, de ter receio de responder mal às pessoas, com medo das consequências. Foram anos a fio à deriva 

4 comentários:

Acha disto que....

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