27.3.18

No café

Tinha apreendido o som de soltar o cabelo em escada,
E sentar-se no mesmo café de sempre,
Imaginando os degraus que dava aos raios de luz,
Quase como se fosse uma passadeira para o céu ela mesma,...

No fim do banho de solidão vinha a memória,
Engaiolada para se soltar em bateres de asas controlados,...

O tempo em que dava olhos aos olhos de quem detalhava o seu desejo,
Com retalhos do que não escondia à imaginação dos alheios que queria a paSsear-lhe na pele,...

A nostalgia subia então no ar em anéis de fumo translúcido,
Que se desvaneciam por entre outros anéis de solitários ao quilo,
Chamava-se qualquer coisa dos momentos sem nome,
Sem data,
E que se somavam a outros momentos que de tão efemeramente bons,
Também se sumiam para nunca mais voltar,...

Quando a encontrei fechou-me as pálpebras cinzento chuva,
E percebi que a teria de chamar só com poemas inconsequentes,
Como este

7 comentários:

Anónimo disse...

Adorei o poema! Bem bonito! Não deixes de trazê-los.

piquimads disse...

Adoro cada vez mais a sua escrita! Parabéns!!!


Um beijinho,
piquimads

goasfar-asyoucan.blogspot.pt

O blog da Camila disse...

Muito jeito para a escrita. :)

O blog da Camila disse...

Muito jeito para a escrita :)

Porventura escrevo disse...

Obrigado por todos os comentários:)

MinorKisses disse...

Parabéns! Mais um texto que adoro! 😉

Porventura escrevo disse...

Obrigado minorkisses:)

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