10.3.18

Time after time, after time

Era um pai, que nunca tinha sabido ser pai.
À noite sentava-se à porta de casa, um degrau de pedra fria,
e brincava com o umbigo como
se fosse o sorriso do sol
que não o fazia rir,...

e depois ficava para amaldiçoar o ponteiro pequeno
do relógio,
atirava-lhe pedrinhas de cascalho na
esperança de que parasse,....

nas manhãs acordava para dentro,
ria de não ter que rir para
lembrar que já se tinha sabido,
um dia,
rir,...

e saía para a rua vestido de transparente,
no dia em que lhe perguntaram porquê,
constatou que emudecera sem cura,....






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