30.3.19

Sem título (74)

não sabia que ao escrever-te cartas,
deixaria de saber escrever,
que o mundo me seria estranho,
com fios de tempo pendidos dos olhos,
e a cegueira,
na quentura dos momentos,
encaminhando-me para o redondo do não ter
para onde ir,....

prefiro a ilusão,
a feroz carga neutra de nem saber esquecer,
ter de comer o seco do que,
no sexo dos segundos gastos,
perfumar lados frescos de um quadrado
onde não me saberia ter,...

ao lado de tudo isto,
a frase amarga de não ter
o que escrever,
o que viver


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