22.3.19

e iremos morrer esfolados

dizem-nos sempre que despida de versos,
a pele floresce,
as nossas entranhas inventam paises que ainda nem ha,
acabando com a porcaria dos pobres,
e os miudos que se deitam e acordam com a meninice vazia,
por terem fome,
e o rosto sem os bons dias do amor,
e as boas noites da devoção até à morte,..

ca para mim há um ricardo reis em tudo isto,
a caminhar de bracos cruzados atrás dos quadris,
e a entrar nos Prazeres achando que nada disto faz sentido,
e depois a sentar-se entregue à eternidade una com o outro que lhe deu à luz, ...

com a lua por cima,
fazendo a sífilis brotar do sangue,
nada disto faz realmente sentido,
a pele nunca ira florescer,
e iremos morrer esfolados,
sem noticia que valha o sono a quem cá ficar


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