30.4.18

Poema em prosa de não querer

não me sentes mais que uma crosta purulenta, vírus de morte nas pernas sem destino, e sem sorte, isto cheira à fuga amarelenta ao resquício dos dias, odeio a massa destes minutos que me ensinaste a comer como pão sem sabor, destino dos que morrem de fome quando têm o que comer, e sentem livros de vidro de não saber ler o que as entrelinhas matam ainda antes de nascer, levado ao extremo de um solo estéril, serei a secura do vento pútrido que nos beijou quando ainda éramos um só, deixando a infeção do querer fugir, dos subreptícios desmentidos em verso,...

findos o que os barcos embatem na doca do dealbar dos dias, amontoam-se as desilusões que mesmo assim pintam sem cor este continuar

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