7.4.18

Ao que mais se espera no final de cada dia

Aqui onde os bancos de jardim são pedras por virar, somos todos menos razoáveis. O sol custa a sentir quando rompe nuvens baças e cor de chumbo. O vento coça-nos o nariz só para se meter connosco, e perceber que já éramos velhos sem esperança ainda na barriga das nossas mães. E as ruas são todas iguais:
sem que se perceba onde começam e acabam.
Com casas numeradas a transparente, para que as pessoas se percam de propósito, e vão parar todos os dias a casas de estranhos, e se calhar chorem. Este é um mundo que ninguém encontra em lado nenhum. Nem consta como nota de rodapé em qualquer livro de estudo para criancinhas felizes lerem, e construírem sinapses com ele.
Habituei-me a passear aqui, quando os meus pés eram de pedra. Agora que são de água tépida, e sem cor, já nem me lembro de como são as pessoas que outrora conheci.
Acho que morreram, e estão à espera de renascer para passarem por vidas desnorteadas como estas, uma, e outra, e outra vez....

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Tirado daqui

2 comentários:

Acha disto que....

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