22.1.20

Vozes

era de dentro que vinham as vozes,
não arrumava as frases com
bicho,
nem as indecências que,
me deixavas à porta,
cada dia pesava-me mais
que o anterior,
talvez com este poema,
que não consigo convenientemente,
parar de escrever,
as faces visíveis do
silêncio,
se compartimentem na minha
cabeça,...

até isso acontecer,
é passo a passo,
tal como palavras,
que enfrento o que não mais
consigo descrever,
e com isto as vozes,
as mesmas vozes que dispo
como corpos sem dono,
continuam a sentar-se a meu
lado



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