2025/06/30
A insinuação tranquila desse corpo,...
És minha amiga,
A distância do teu olhar,
Saber que este é, como agora, um poema que se estenderá com certeza no tapete irregular da prosa,...
És minha amiga quando o sol se deita connosco,
Não inventas a noite,
se ela sair deste lar abstrato que partilhamos,...
A insinuação tranquila desse corpo,
Pernas e mãos perdidas como amor numa tarde de fim de Verão,
És minha amiga há mais agoras do que o sempre pode comportar,...
E um coração,
O mesmo de ontem e que envelhece dentro do sempre que porfiamos como nosso,
Bate a compasso como o vento que traz este fim dos tempos,
Que se esconde na nossa ficção
Tirado daqui2025/06/29
A força do racional,...
O mundo,
Abraçado à desgraça,
À sua própria burrice,...
As pessoas a abandonar o legítimo,
A Força do racional,
E a seguirem por caminhos ínvios,
Desconhecidos,....
Escolhendo a escuridão,
Em vez da luz reta e presente,...
O mundo a escorregar em desilusão dos racionais,
O mundo infeliz sem saber,
As pessoas inutilizadas,
E o rancor instalado,...
Porque as pessoas,
O querem
Tirado daquiFotografia de Silvia Piva
2025/06/28
...três noites de desilusão
Fotografia de Eduardo Gageiro. Mouraria. Lisboa, Alfama. 1966
Até quando três noites de desilusão,
Se transformarão num dia pleno e infindável de desejo,...
Por aqui espera-se que o espaço entre o tempo,
Permita perceber se há sorrisos numa espera,
Contenção no desespero,....
Se saltar versos como nesta replicação de ideias sem sentido,
Será realmente a melhor decisão,....
Até lá,
Não espero que regresses,
O autor mais pausado e inexpressivo que conheci,
Ensinou-me a precisão,
A virtude,
Esperar que tudo isto passe,
E tu ainda aí continues
2025/06/27
Como um empecilho útil,...
2025/06/26
O anonimato dança,....
Um sonho,
Isto é tudo anónimo, certo?,...
Nudez,
Culpa formada antes de um beijo,
Roupa rasgada,
A dor na alma,
pela saudade que corta e volta a coser a pele,....
Não quero ser reconhecido,
Há um suspiro,
Levantar e sair do quarto,
O livro apontado e rasurado,
Como recomendação a uma amizade recém adquirida,....
Não quero ser reconhecido,
A vontade,
O rádio que vai esmorecendo até ao silêncio premiado,...
E eu não serei tido nem achado,
O anonimato dança ao som do vento da madrugada
Tirado daqui2025/06/25
Em suma se crio,.. .
Cada vez menos a poesia tem sentido,
E afirmo-o prezando a brevidade dos momentos de loucura,
Que me permitem deslizar pela pista gelada do arrependimento abaixo,
E debitar versos,...
Versos em barda,
Versos destes,
Versos de paragem de autocarro,
Versos de desejo por um fim azulado,...
Em suma se crio é porque me sinto obrigado,
Se me sinto obrigado é porque não há momentos de dor neste caminho,...
E agora recolho-me,
São horas da verdade algures onde o sol já se pôs
Tirado daqui2025/06/24
Acendes o fogo,....
Tão fácil,
Acendes o fogo,
Ficas pra jantar,...
A linguagem flui num outro ritmo,
As pessoas querem que te vás explicando,
Sobre desilusões,
Bolas de espelhos,....
Amores falhados de adolescência até,
E à volta de uma fogueira,
Uma chama que não está lá,
mas que não perturba imaginar,
Volta lentamente a confiança,...
Serás feliz,
As voltas dos desejos deixam-te sem explicação,
desta forma
Tirado daquiPaul Klee "Vista de uma janela (Mar do Norte)" 1923
2025/06/23
E nós a observarmos,....
A flauta, 1896
Felix Vallotton
Vieste ter comigo ao pôr do sol,
É quente,
Difuso dizer esta frase,...
É uma ideia estranha,
Sentir momentos de tempo,
Fios de um cabelo envelhecido como como é o do tempo,
A soltar-se,
E nós a observarmos,...
Sem sabermos como agir,
Esboçar reflexões ou sequer perceber como é dúbia a dúvida de não saber mais nada,
Do que poderão vir a ser as nossas escolhas,
Os ímpetos necessários para sair daqui,....
Mas a lentidão de como a noite escolhe enamorar-nos,
Vai nos resolver como corpo único
2025/06/22
Esta mão velha,...
Tirado daqui
2025/06/21
E condescendência,....
Não me entendam mal,
Diz o homem inteligente na praça pública,...
Garantia em posição de oração e o corpo a transparecer dor e arrependimento,
Que são de paz e intransigência os caminhos de rectidão e apascentamento de almas,...
Era um inocente esta pessoa,
Fala-se no passado porque a vida encarregou-se de o mudar,...
E agora não se pode garantir que acredita nas suas pregações,...
Mas é com vários livros abertos,
E condescendência,
Muita com o inverso de sapiência que normalmente caracteriza o povo,
Que vai prosseguindo com a presença possível na ágora de todos os dias
Tirado daquiPoema de Hans Magnus Ensenzberger