Nao implicava esforço. Apenas um rosto intacto, incólume de expressões e desalento. A vontade de ouvir. Perceber que a sucessão de manhãs de chuva, não faz o desalento de um homem, mas é apenas a fatalidade de um mundo finito que tem tanto de autofagico, como de pai que devora as suas próprias criações. E também ajudava gostar de cores. Preferir a neutralidade do branco, mas defender que uma emoção perdida, pode estar em movimentos conformados, mas ainda assim felizes, de lavar uns quantos morangos. Expressarmo-nos na intensidade daquele vermelho. Olhar para o lado, e esboçar um sorriso com as verduras acondicionadas num cesto de vime. E findo este senso de rotina, dar uns passos, abrir de par em par as cortinas de seda envelhecidas, mas ainda funcionais da cozinha, e deixarmo-nos perder naquele azul de céu que sempre lá esteve. Desde o início dos tempos que é um amparo de anseios, a explicação de alegrias. Está lá. É esta a verificação, e a possível desilusão aconchegante da condição humana. Aqui explicada de forma sucinta, mas empenhada, verificando que entretanto a inevitabilidade da chuva já veio.
2026/02/01
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