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27.3.19

...desta porra triste

nada nos safa desta porra triste,
de mãos a deslizarem pelo corpo presas,
e condenadas ao degredo da injustiça,...

e de chorar,
e de revoltar quando nem se come,
para nos recusarmos a que a luz
se acenda nesta estrofe rota de vida,...

se souberes como nos safar desta porra triste,
ouvir-te-ei,
acho eu,
caso ainda tenha ouvidos,
e capacidade de um riso atávico só para
provar que me importo,
e dois olhos que brilhem o suficiente
antes de que o fio do tempo os esgane,...

até que haja mar para nos
trazer de volta,
cantaremos logo mais,
antes de dormir de lonjura
na alma



26.2.19

Nunca mais pensei no redobrar de cuidados que eram as tuas manhãs

Nunca mais pensei no redobrar de cuidados que eram as tuas manhãs. Ao nos afastarmos, chovia. Recordo-me bem das gotas desmedidas que me beijavam o crânio, fazendo do adormecimento do meu ser um poema sem fim, e sem sentido. Não mexi um músculo do meu corpo. Lembro-me que o que mais me entristeceu, foi aquele sentimento vulgar e repisado de não ter conseguido perceber se choravas. A tua pele, normalmente parecida ao café de todas as manhãs, estava branca do frio. Vi-te esvaziada de sentimentos, quase como se do teu corpo saísse todo o ar de um balão, preso instavelmente nas mãos de uma criança triste.
Nunca mais pensei, mesmo, em tudo o que tinha de não fazer para que das manhãs, pudessem surgir as tardes contigo. E depois as noites que começavam sempre da mesma forma. Com um passeio feliz, e idealista, por aquela rua de prédios desmaiados, flores sem vida, mas que adoravas. Chamavas a cada pedra revirada, ao todo sem cor, a tua paleta de uma obra por acabar.
Não gostava, mas aceitava. Por fim, ao regressar a casa, apercebia-me de tudo o que me apetecia escrever para mascarar o impedimento da fala que sentia.
Já não penso, mesmo, no redobrar de cuidados que eram as minhas manhãs. Talvez por isso, nunca mais tenha tido olhos estranhamente alumiados com a percepção de vida.


12.2.19

Caleidoscópio

...acho que me dói onde
não sabia que podia doer,
se a frase for assim tão forte,
talvez o vento amaine o que
arde na planície dos meus lábios,
mas não creio que a saudade da
rua onde chovia sempre,
que nos víamos,
possa trazer a primavera ao
verso incompleto deste
poema que não sei acabar


23.1.19

Inesperadamente sem senso de vida

há tanto tempo que o não estar em ti
me tira a pele dos olhos,
deixa de me fazer sentir uno com a terra,
transformando o meu som na ressonância
indigna dos mortos sem frase,...

sinto falta de calar a minha mudez
no teu corpo,
de reescrever todos os poemas
que fizemos a uma só mão,
dando-lhes o título de só,
inesperadamente sem senso de vida


30.12.18

E pronto, já se lê a eulogia do Inatingivel 2018

há tanta poesia
melhor que uma inveja,
e o teu desejo que escondes
assim,
no bolso,
de soslaio ao passar dos dias,...

e eu sem saber se te enlevo
no amor que não me deste
a conhecer,
ou se te passo o silêncio,
como quem passa o vício,
num leve aperto de duas
mãos vazias,...

sim,
há tanta poesia
melhor que isto,
e os nossos olhos
que não acasalam
como deviam,
ao frio


5.12.18

Velho de cor neutra

....um velho de cor neutra,
com a pele encrespada e o cabelo
amarelecido do vento nicotinado,
a sombra da companheira de todas
as horas que,
ao desenbainhar da manhã,
um dia,
expirou o sentido adeus e
abriu as portas da solidão,...

o som ronfenho do fado que o tempo
gasta,
dança com o vento que hipnotiza uma
casa de onde a felicidade se esgueirou,
e ficaram as sombras,
retesadas nos estendais da roupa,
no branco da cama por fazer,...

lá fora o sol uiva o chamamento
pela morte,
e um velho de cor neutra,
encostado ao perfil
de cobre dos dias,
que custam a passar


1.10.18

Partiu

Lembro-me dos dias em que achava que ela seria um equívoco. Dentro daquilo que entendia como erro admitido, e não corrigido. Ela vivia uma rotina sem sentido. Com todos os minutos contados da mesma forma, contando para o mesmo fim. Foi assim que me despertei a mim mesmo para aquela sensação. Via-a como algo impossível de descrever. Passei anos a fio a tentar perceber como todas as possibilidades encerradas naquele andar. Naquela pele deliciosamente suja de luz tímida. Como um cabelo ondulado no sentido tempestuoso à beira mar do tempo,...
me podia fazer ter vontade de especular em ficções sem sentido. Em arranhar folhas consecutivas de indecisão branca, com indefinições como esta que tento elaborar ao som da chuva que lhe embala o afastar. 
Sim, ela está a sair do meu mundo. Vai com alguém que desconheço.Leva malas, caixas, com todo um tecido que lhe deverá ter envolvido a rotina, asfixiando cada momento. Cada recordação. 
Se a perder agora, que seja para uma recordação que me esforce para nunca mais voltar.

21.8.18

A boa ventura do pessimismo

anda cá mas só se souberes fazer mal,
inexpressivos cabrões os que dormem virados para o céu,
quase como se o mundo fosse plano de tão bem resolvido para os anjos que trilham os sons da nudez,...

farto da coisa seca dos que só andam a distribuir palmadinhas nas costas,
e a entrar nas tabernas secas de primor,
com a boa nova de que as pessoas só ganharão se um dia o mundo for todo pintado de azul,...

para os rendidos uma estrela, 
força aos que mostram choro nas asas canoras da felicidade que cheira mal,...

e ao léu o desígnio de ter pena da pena como profissão reconhecida,

ajustem-se a isto porque o mau é todas as esquinas em que batem com os cornos de manhã 

1.8.18

Primeira de agosto

acabo isto amanhã,
talvez se as coisas deixarem de se pintar a si próprias com um contorno amarelecido,
quase como se visse tudo no meio da pútrida evolução do tempo,
com a morte a caminhar de tamancos,
a apascentar as vacas antes de nos bater à porta,...

o que tenho para escrever resume-se com um adjetivo,
intenso,
passos fortes na saída do café,
dizer adeus à rotina indefinida do não ter nada para dizer,
e estar só para completar um círculo inteiro de comiseração,...

sim,
acabo isto amanhã,
hoje vou chorar de cansaço até adormecer

31.7.18

Exército de sombras

dois desiludidos raspam
os últimos copos do dia,
chove as boas vindas
à desilusão,
e a lua acasalada com o
vazio ignora as decepções,...

a luz esvai-se em
nada nos pequenos
 rios de nojo,
que amparam
os passos dos desnorteados
que regressam ao que abominam,
não ter frase,
nem verbo,
nem toque de fim para o
dia seguinte,...

cria um exército de
sombras,
que esperam só por
ordem
para reabrir os olhos


13.7.18

Acordo de separação

findas as negociações,
foi decidido puxar aquele
 papel de 25 linhas
 da gaveta,
e passar o
acordo a escrito,...

havia duas saudades
 para repartir em
partes iguais,
aos dias pares
ficava com o homem
do nariz pequeno,
aos ímpares com o
homem sem voz,
e quando o tempo parasse
 por mero cansaço,
as saudades,
que eram irmãs,
iam esperar dentro da
luz refratária que o
mar refletisse,...

aguardava-se pela equidade
deste acordo,
já que o mesmo era
visto como último recurso
para as partes envolvidas,...

pai e filho que iam
mudar de continentes,
e passar a ver-se só quando
 a sorte quisesse,...

a letra miudinha a
palavra amor estava
lacrada a lágrimas 

5.7.18

Lavabos

a mentira estava retalhada
 por entre a poça de mijo,
um pouco acima,
a caligrafia trêmula
da mulher,
fora de corpo,...

nove números e um léxico
de pentear o tempo,
para lá do bom dia
de todas as noites,
a preferir ser a puta de
um romance mal escrito,
do que o mentiroso de um
momento,...

cheirava a poesia maldita
naquele cubículo,
do lusco-fusco lá
de fora esvoaçavam
os sem rumo,
que tinham na pila a
extensão de qualquer
coisa do elogio,
do vir para casa
todas as noites
para um amor sincero



12.6.18

E se

sabia que já tinha passado o seu pico,
o cabelo parecia uma seara de trigo no fim de setembro,
quando se anseia por chuva,
a boca só abria pela certa,
o resto do tempo estava exposta às agruras do vento assuão,
da pele pensava qualquer coisa que começava com o verbo ser mal conjugado,...

sentava-se sempre nos lugares traseiros do autocarro,
e pensava que pagaria bom dinheiro por uma juventude que viesse num pacote de cereais,...

por isso quando reencontrou o amor na posse de um bilhete de lotaria,
nem se entusiasmou mais que o que devia,...

agora já pergunta ao motorista pelo salão de beleza


4.6.18

Reflexões sobre a morte

quem disse que os poemas têm de fazer sentido?,
a vida também não faz sentido,
nem a forma como nos despedimos dela,
nem sequer ter de beber o ar como 
água faz sentido,...

os poemas existem para fazer de nós seres que caminham
sem peso,
e se desfazem do que a pele nos diz para desfazer
quando dói cá dentro,..

nunca encontrarei sentido nos poemas,
porque sou a pessoa que menos sentido faz no que
escreve,
detesto tudo o que se perceba com um sorriso nos lábios,
e com toda a felicidade que só o egoísmo nos pode trazer,.

ah,
e detesto ter de parecer triste quando quero
mesmo é dizer mal de tudo e de todos,
porque quem nasceu para se ter só a si próprio,
não tem de achar sentido nos poemas,...

aliás,
que se lixem os poemas e toda
a hipocrisia que eles trazem embrulhados

Descansa em paz, tio....

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Tirado daqui

Maldita morte....:-(

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31.5.18

Já não preciso de ti

já não preciso de ti,,
agora que por braços tenho
caminhos bravios,
e os meus olhos cegaram para deixar correr a água seca do estio,
sinto-me naquele pó que as tardes de Verão levantam em surdina,
para depois vir o Outono de todos,
e secâ-lo em folhas mudas e que recitam a tristeza de estar vivo,...

sim,
já não preciso de ti porque amar não precisa ser amar,
pode ser esperar-te no desdobrar dos minutos ocos,
sabendo que não mais virás nas nuvens do céu,
que já foi o teto da nossa casa de papel

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Tirado daqui

4.5.18

Nova e subsistente mágoa

...não se recordava do pó de onde vinha. Só o especial sabor do chão barrento, que perfumava os seios nasais a cada acordar recordado no sítio de onde lutava fratricidamente para não sair, a fazia sentir pessoa subtraída à terra. Limite superior do ser, encastrado em cada coisa que aquele lugar tinha.
E no fim, lágrimas sem sentido. Tantas, que a chuva da manhã se confundia com a sina de ser tristemente afogada em mágoa...

19.2.18

Sem título (2)

Escreve-me distância nas costas da mão,
Vou ler e resolvo a equação das nuvens
Escuras de cada dia,
E sentado num sonho desfio os olhos
Até perder o teu afastar,...

És de todos os mundos sem dono agora ...


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