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16.12.18

Innuendo

habituei-me a ver as pessoas a
 sorrir devagar, 
quase como se um 
pombo moribundo 
levantasse delas,
asperamente,
deixando-as sem 
consciência a pensar 
num espaço sem tempo,
dentro do saco rasgado 
que é a vida à míngua 
de expetativas,...

ao longo desta 
estrada,
recordo-me 
especialmente 
dos sorrisos 
que assim se perdiam,
dos limites 
ultrapassados 
sem nenhuma explicação,
apenas para que,
e já que falamos 
de sorrisos, 
agora os veja a 
regressar,
procurando a 
morte onde 
mais ninguém 
a encontra 





15.11.18

Sem título (81)

ela não sabia como pedir desculpa,
só sentia que ao abrir a boca,
ninguém a entendia como alguém válido,
capaz de ser levado em conta 
quando surgissem as dúvidas,
e as indecisões 
que sempre existem 
nos minutos que se 
seguem ao ensandecimento 
coletivo,... 

escolheu por isso o silêncio,
e o rosto por entre as 
mãos em face do falhanço,
e o acumular de 
frustrações em 
vez da poesia,...

não queria 
melhorar até que 
um dia abrisse a 
porta de casa,
e o tal Principe,
que nem 
precisava de ser o 
mais belo da história,
lhe perguntasse 
porque é que o 
cabelo dela não 
ficava melhor 
ao sol do entardecer 


11.11.18

Idiota a representar o tempo e o medo

a senhora invisível era incapaz de responder quando a pressionavam,
as horas respaldavam para a inquietação,
deixando-a sem palavras,
achando que o poder do silêncio era a melhor solução para tudo,...

um dia fez um desenho de um minuto,
era um príncipe bonito,
de cavalo branco,
com ondulados cabelos louros,
e acabou a rasgá-lo em várias partes,...

as coisas nada mudaram para ela,
só ficou a saber assim que além da pressão,
não sabia lidar com a rejeição que é o envelhecimento


24.10.18

Sem título (82)

estive aqui, 
talvez,
por uma soma de todos 
os acasos com que fodi,
lembro-me de rostos 
a fecharem-se sobre si mesmos,
com o calor a estrangular 
pausadamente a 
vida de toda a maldade,
que normalmente 
pinta as ruas,...

as pessoas falavam 
por si próprias,
talvez desejando-me a 
morte com 
duas pinças,
capazes de 
me desligar 
com compasso do real,
deixando-me 
nesta confusão 
em que todos 
os dias tomo banho

15.9.18

Coerência

podem responder-me da sombra,
de que é a força que
regula os momentos
de avaliação do
poder de um homem desesperado,...

eu só pergunto dos
segundos enlutados
da fome,
o querer um livro com
todas as questões
enlameadas,
e não saber ler os
choros comprometidos
das pessoas,
o querer a força,
a restrição ilimitada
de um beijo falso de amor,...

e só ter olhos vazios de
dor,
pedaços de um
sexo envelhecido,
e o Capital de Marx ensanguentado,
como arma de um crime
por definir,...

não sei fazer mais
sentido que este


12.9.18

Pontualidade

vieste pelas 18 e qualquer coisa,
quando já não havia relógios em casa,...

cheiravas a insubstituível provisão do amor,
como se houvesse pó de flores mortas a renascer,...
subindo pelas paredes,
e a envolver-nos com amarras invisíveis,
daquelas impossíveis de esmiuçar,...

trazias incenso nos intervalos dos sorrisos,
quase como se o silêncio que te embalava como uma encomenda de inverno,
não fosse mais nada que qualquer coisa sem processo de redenção,...

e deixamo-nos ficar à música das folhas que deslizavam para o abismo,
redimidos das saudades de cristal que conhecíamos

9.9.18

Perdido na tradução

eu não quero ir,
estar aqui contigo faz-me sentir com olhos que não rasgam carne,
e que talvez o desejo,
não se escreva com indiferença,
mas sim com luzes de cidade grande a sarar a pele de feridas infetadas,...

fica comigo mais um pouco,
se lá fora o vento não se desculpa pela arrogância,
aqui não precisamos de falar,
gosto de ti pelas inconstâncias do silêncio,
com a necessidade irrefletida de desenhar na tua pele que não sou perfeito,
mostrando que a minha carne pesa mais que a insignificância dos meus ossos,...

eu não quero ir,
com um último abraço de manhã,
devo conseguir gravar-te no meu respirar



28.8.18

É o que se arranja por hoje

não resta mais nada que um menos,
fomos tudo o que sobrou da alegre e consentânea experiência de felicidade,
e agora só a noite,
um sítio em que nem as árvores já dançam com o silêncio

6.8.18

Hábitos de leitura

pensei em ler-te hoje,
à sombra do que deixei
 de entender quando
escrevias o céu,
e aqui,
onde o fogo nos
rodeia em golas de
renda sufocantes,
era a terra a dizer-me
que a escrita mata o
amor às coisas pequenas,...

mas os rebordos de
aço dos teus versos,
onde há mulheres
capazes de terraplanar
os destinos,
sem que a erva
daninha chamada homem
desnorteie a fertilidade,
desse lado não se resiste a
um grito para o futuro,...

por isso fui
ler-te de novo,...

gostei do cheiro
a western com que
fiquei na saudade que ainda
 recordo ter por ti


20.7.18

Todos os dias

Recusava as notas intrínsecas da música do acordar,
eram as de todos os dias,
monótonas, irrepreensíveis,
encostadas ao abrir as pálpebras dos porquês,...

escolheu por isso o friso de todos os dias dos dias que passavam iguais 


19.7.18

Árvores

não sentia culpa de ver as
árvores suicidarem-se com
uma solidão auto-imposta,
os dias passavam
e momento a momento
inundavam-o gritos lancinantes,
sentires presos
no desdobrar dos dias,...

com o correr das
estrelas no céu,
o tempo abria as
suas estradas,
e as árvores
nunca renasciam

inneroptics:
“ Sally Mann
”

20.6.18

Refogado

sabias como cozinhar o tempo
assim eu te explicasse o refogado,
as coisas precisas para meter
a cebola certa no momento para morrer,
e o Knorr que nunca é o adequado,
 quando te queres despedir
das minudências da rotina,...

todas as sem importância pelo menos,
como o deixar os atacadores
pendurados à distância certa
da sola do sapato,
para não parecermos
pessoas sem objetivos na vida,...

não saberes cozinhar
o tempo é grave,
tão grave como entrares no café
de todos os dias,
durante anos a fio,
e no último dia em
que lá decides ir,
ninguém te conhece
tal como no primeiro momento,...

acho que deve haver um refogado
para deixares os pés,
bem calcados no teu percurso,...

qualquer dia ensino-to

13.6.18

Convivência

durante o tempo em que com ele convivi,
o homem cresceu,
pensava nas raízes,
nas desilusões da vida à porta das cidades,
no frio a que sabem as bicas tomadas sozinhas,...

sempre que com ele convivi,
o homem desusava as pausas que fazia a falar,
até que deixei de recordar como ele era sem nada dizer,
do farto que fiquei de passar o tempo a ouvi-lo falar,...

durante o tempo em que com ele convívi,
o homem dizia não querer viver da política,
porque se um político era a política silenciosa feita polícia da palavra,
não interessava saber qual o melhor verbo que interessasse a tudo isto,...

e quando parei de com ele conviver,
havia uma conta por pagar a uma série de poetas que para ele tinham escrito,
deixaram-lhe versos a fio e o homem sumiu-se,
porque nunca soube sublinhar a importância do sentir na convivência

2.6.18

Se nos impõem a guerra

se nos impõem a guerra,
vamos lutar,
se querem das nossas crianças a pele
sem cor de um qualquer sem futuro,
vamos lutar,...

não recuamos quando é um país
a avançar pelo estreito caminho
dos Governos ciclópicos,
de um só olho,
que perifericamente nos querem
afogar  na soda cáustica dos dias,...

se nos impõem o que quer que seja,
vamos lutar,
a revolução é melhor do que
 não ter nada para rir,
nada para comer e sem ter água
 para fazer de sangue quando,
envelhecidos,
já só dançamos sozinhos
à espera que a morte chegue,...

se nos impõem a guerra,
vamos sentar-nos com ar de maus
à porta de casa,
e correr com eles à espadeirada





Tirado daqui

O propósito do fim

...e a foz de todos os rios nos recortes da tua despedida,
solitariamente está escrito na espuma da água um nome,
o nome que já não conheço em cada poro,
que incendiavas numa pele que era áspera quando a percorreste,
pela primeira vez,...

afiança-me o líquido endurecido daquele mundo,
que voltarás,
talvez,
um dia que o mundo beije a sua perdição,...

não acredito que o fim tenha um propósito

1.6.18

Não és daqui

não és daqui,
o sol não te marca o limite
de um sonho como às outras pessoas,
resolves o choro com a força invertida da terra,
para depois caminhares sem destino com a bênção dos rios sem água,...

imagino-te de um sítio em que as flores estão mortas,
e não há marcas das casas sem pessoas lá dentro no chão,
só há resoluções para a vida sem autor,
partes de um plano sem conclusão a darem sombra,
como as árvores,...

se não és daqui,
Bem Vindo,...

fazes falta à porção menos gasta da felicidade que por aqui há


19.5.18

Escrito às escuras

se for para a imensidão de um raio de não saber decidir,
pensar na versão menos incomoda do acordar,
é o suficiente para lamber o caminho dos dias sem cor,...

a frase curta do não estares aqui,
agora,
sem dois precisos suspiros da sufocada falta de amor,
escreve-se com areia preta da praia,...

sobra-me mesmo um vulcão de dias sem contorno,
para me explicar no picotado da luz de prisioneiro da alma que nunca tive

22.3.18

Reaver o íntimo

No que chamas de modorra do tempo,
está uma mesa de cabeceira onde à
noite deixo o meu coração,
sim,...

acho que durmo de peito vazio,
com os cordeirinhos que adormecem as crianças
a arrancarem-me à dentada a carne,
e sinto uma, duas, três horas de ímpeto
a passar como carcaça do enleio das horas,...

tenho os olhos fechados mas,
de peito sempre vazio,
é como se a dormir me acordasse tantas e 
tantas vezes que ficam desenhadas,
a quente,
nas paredes de todos os quasares
explosivos em cima dos quais durmo,..

acho que por isso acordo sempre antes
da madrugada sair da pele e renascer,
logo mais,
no guisado das estrelas,
pode ser que já não renasça mais o mesmo
para te contar tudo,
assim cheio de pormenores

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Tirado daqui


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