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21.2.19

a cegueira das coisas

as nossas expetativas,
e tu a correres solta num campo de sonhos,
os medos que cosemos neste enlaçado de minutos sobre o qual vivemos,...

reconheço agora nada reconhecer do que escrevemos,
aqueles descolados de sentido que flutuavam á tona do tempo,
no dia como o de hoje que cheira a meses nunca antes vividos,...

se me reconheceres assim,
agora que só cheiro sem conseguir ver os halos desnudados das coisas,
chama-me silêncio 

13.10.18

Sem título (84)

era dele,
era minha,
era arredondada na ambição
de passar despercebida,...

anulada quando se passava naquela rua,
não dizia nada às formas
indesejadas de todas as ruas,
talvez lhe chamasse sorte,
amor meu feito morte,
que passeava pelas ruas com pés
de flores,
que cheiram mal do desnorte
de caminhar tortos,
para a solidão,...

e assim feito fadista,
enrolei a vida e pisei
o risco,
de ficar para sempre,
sem saber o nome,
do que meu já não era



26.9.18

De duas vezes para não saber escrever

se não me fizeres a página escrita,
nem duas razões para um verbo,
o dia acaba ensombrado,
insuficiente,
com um verso,..

de várias nuvens num sintagma,
e aos poucos pelo silêncio,
qualquer fruto do léxico,
de gomos fartos,
desmazelados,...

e a acabar com o analfabeto,
feliz com o rabisco sábio,
anoitecia no menor,
e distante contente facto


18.9.18

Sem título (87)

Não me digas porque as
árvores choram,
Se elas o fazem também
 já o fizeste
para saber como o mar
é infindo,
e as pessoas gostam
de deitar
 os sonhos em cima de coisas
ocas como esta 

11.9.18

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
não só pela métrica nos rebordos,
como pela diferenciação entre morte e pratos de sopa,,..

não faço sentido a chamar as meninas quando saem do trabalho,
estendo um manto de cães mortos e digo-lhes que se casarão,
caso se atrevam a ter a coragem da irresponsabilidade momentânea na vida,...

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
aliás,
não sou só eu quem o diz,
conheço quem os defina enquanto põe roupa a secar,
cantando fados de uma nota só,
disparados com arco e flecha em direção a alvos no céu,...

os meus poemas saltam num só pé,
e são cadavéricos quando se despedem da vida,
para fazerem uma multidão de raparigas imberbes apaixonar-se por eles logo a seguir,...

sou eu quem escreve os poemas mais bonitos,
talvez seja hora de os rasgar num féretro sem cor


19.8.18

Sem título (89)

eu não gostava que pusessem
balizas na minha existência,
servia-me do tempo como
os desclassificados de bairro
usam as meninas inocentes,
sem travão nem metáforas daquelas
 que vulgarizam os poemas,...

por isso,
os caminhos sem escapatória
não me diziam muito,
só o suficiente para acordar
 a cada manhã com os
olhos secos de choro,
aliás,
nunca acreditei no choro,
nem nas estrelas como
justificação para caminhos transparentes



13.8.18

Anatomia

parecia estranho que o tecido das coisas fosse de água,
tanto que naquela noite não conheci ninguém feito de nervo,
correr de sangue,
e perspetiva de morte,...

só o equívoco da solidão num pudim de versos vulgares,
sem que dos mesmos pudesse alguma vez haver sentido,
e apenas a perfeição talhada em cruz por conta de cada vida que se tirava a um deprimido,...

sei que comi ene estrelas ao aquecer da madrugada,
sem me sentir menos que a qualquer coisa que o big bang ia deixando deste lado,
sem saber ler




12.8.18

Orgulhosamente sem título

as pessoas mudam,
os verbos perdem a pele e
desfazem as proposições,
restando a pedra solta com a
substância de uma encenação,...

fazíamos falta uns aos outros
 se houvesse água nas
esquinas dos advérbios,
como se mormente o amor,
nos puséssemos em quatro
estações de lamentos,
para perceber a raiva
encaixada no silêncio,...

e de mim não levarão
mais que um morango de favor,
e um copo de água de
português mal entendido


18.7.18

Despedi da

sei do vento
despido na manhã
suja dos últimos
dias do adeus,
com a frase
irremediável escrita
no verde de todas
as rotinas,
dei para a
tua última
impressão
do real,...

chamavas todas as
coisas do azul
incompreendido,
balbuciando o amor
como perdido,
e a redução do tempo
para o fim como a
maior indefinição
ainda por beijar,...

passo a passo
industriámos a forma
única de,
Indiscutivelmente,
deixarmos o silêncio
para trás neste
reduto de gritos estridentes,...

para tudo acabar
na demora da
chuva que limpa
a roupa suja de mal

17.7.18

Conto de fim de Verão

naquela tarde de verão tudo seguia para o fim que tinha de ser,
havia carne a apodrecer no estertor dos falhados,
osso a osso o conformismo montava a praça no abismo das cores vãs,...

sonhei com os cavalos que caçados pelo tempo,
arredondavam a espera pelo fim andando em roda,
sem fim de coisas aparentes,...

e quando já era o silêncio a fazer de pele das pessoas,
o outono veio a fazer da velha mais velha,
tão velha que a mulher coerência daquele lugar,
remoeu a vontade de ser consciente,
e adormeceu para sempre nos colos dos honestos


16.7.18

Poema a meu pai sem corpo

lembro-me dos mais velhos a falarem de quando o conhecimento era um medo,
o tempo em que os livros forçosamente eram segredados,
passados de suspiro em suspiro longe da luz do dia,
podia ser à sombra de uma árvore,
na ilusão de um toque fugidio,...

hoje conhecer é incorpóreo,
não está em lado nenhum,
e a decisão de termos posse de sinapses,
faz-nos raios de luz que chamam a si a liberdade

9.7.18

Cinquenta anos antes

cinquenta anos antes,
contados a pernas de medo,
lembrava-me do jardim que media
com revirares de órbitas,
falava comigo a amarelos,
sem que dele percebesse que outrora
tinha sido uma senhora que esperava a morte,...

também me recordava do bater diferente da chuva,
que soava aos batuques de folclore daquelas
festas de interior esquecido,...

cinquenta anos antes,
nem sequer tinha existência corpórea,
mas lembro-me dos passeios da língua,
a forma como qualquer ser que respirava,
se fazia entender apenas pela pele invisível
e escarada,
a mesma que prendia à pobreza,...

cinquenta anos antes,
apareceu definido na porta para a dimensão
de medo em que hoje acordei

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Tirado daqui

7.7.18

Mãos invertebradas

de vez em quando a
musicalidade de um plural,
e a vontade de
pisar a linha de nem
haver verbos,
com jardim montado
na gola de um casaco,
arrebitada porque
 o frio nos
decapita a solidão,...

tudo frases
pintadas como
se gosta,
e o que traz
um olá desnecessário
que escorre do
nunca mais quero ver-te,
procurando o lado
 certo da rua das
mãos invertebradas

6.7.18

...só o chora o cão mais livre daquela invernia

qualquer coisa a um tempo
escrito a diáfano,
enrolado na cacimba surge
o velho das madrugadas,
casa despida de segundos
esguios a escorrerem
pelas paredes,...

desce o empedrado
 trôpego,
ar metido para dentro
com névoa da morte,
vai parar na esquina
 para jurar aos finados
 que há-de comer amargo
nesse almoço,
cruza-se com o fungar
do cão mais livre
daquela invernia,
cheira-lhe o rasto
e evapora-se no nevoeiro,...

a luz daquele lugar
 abre um olho,
e depois
mais um,
do céu escrito a
chumbo descem
poemas de fim,
há um coração
cansado do espirrar
dos dias,
tombado com
duas pernas
e dois braços,
e um halo debruado
a conformismo,
morto,...

só o chora o cão
mais livre daquela invernia


21.6.18

Carreira da madrugada

da noite só a peça motriz do despertador da madrugada,
os contornos dela numa parede sem cor,
e a saudade em socalcos que plantava o vinho da solidão

7.6.18

Highway patrol

soava a certa aquela indecisão,
ao mesmo tempo eram dois minutos para fabricar a vontade,
de aclarar a virulência de odiar sem razão melhor que o amor

23.5.18

Loucura calculada

o sabor metálico da perda,
numa gota de qualquer dia que escorre da parede,
de todos os dias,...

a frase inaudita desta coisa de ser poesia,
o mesmo que as festas no cabelo quando se faz bem em criança,...

e o ouvir a música certa a abrir-te a casca,
como a banana do fim do mundo que nunca será colhida,...

tudo rebordos do limite assumido de uma loucura calculada


22.5.18

Esqueci-me do relógio em casa

às oito e um pedaço,
desviei a mão do sol,
enquanto me davas melaço,...

pelas nove e qualquer coisa,
puxei o fio à boneca,
e escreveste com água na lousa,...

lá pelas dez e picos,
já o dia ia alto,
e acusaste-me de futricos,...

só às onze e não sei quê,
recuperei a razão,
e pensei que na canção,
já não há meio dia sem você,...

e agora é uma e tal,
e eu com fome e sem jornal,
olhando para a mesa vazia,
e a julgar que se refletia,
é porque já não tinha bornal


20.5.18

sendo pesa mais que querer

desde a espera pelo não voltar que todos somos diferentes,
passaram milhões e milhões de decisões indecifráveis,
catástrofes usadas como jóias de sedução,
e estar continua a pesar muito mais que querer,...

substituídos à onda que fecunda a praia,
deixamo-nos assim estar pesados como a morte,
e luminosos como os intermináveis sorrisos de um beijo


15.5.18

Fome

Não me disseste da manhã,
As mães que saem para o trabalho nem viram a fome,
Os filhos obrigados a remexer na terra sentem a fome,
E sabendo do neo-realista desejo do sonho,
Esperei pela madrugada para te perguntar pela água,...

Seguiste em silêncio virada para dentro

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