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27.1.19

Lábios

....mesmo que a morada da razão tenha deixado de
ser os teus lábios,
com as portas abertas para as longas luzes
da indiferença,
as raízes do sonho continuam aqui,
onde recolhi as tuas lágrimas no côncavo
da minha mão envelhecida,
e quis bebê-las para te deixar
gravada nas entranhas,...

sinto como que séculos dentro
de uma garganta a sangrar,
estarei morto,
mas vivo na ponta
húmida da minha vivência,
e como o pulsar da terra para me
manter a respirar,
à espera que ressuscites o contar
dos dias,
e com isso o coração
volte a inventar palavras,
e me traga de volta
aos teus lábios


17.8.18

Fazer o tempo menos que o lugar

Quis dizer-te algo belo, mas ao mesmo tempo que não deixasse marca debaixo da pele. Tentei comparar-te à chuva. Dizendo que te achava o mesmo que a vaporização irregular da respiração naquele momento em que acaba de chover, e o céu se esmaga num cinzento dedicado ao tempo, e que sabe que vai morrer na certeza do sol. Não me ligaste. Fazias qualquer coisa em renda, encostada ao muro de todos os dias, e que do lado de lá guardava o teu mundo de cristal onde ninguém estava autorizado a entrar, sob pena de ruína total de um equilíbrio instável.
As frases pareciam escassear, porque para mim sempre tinhas sido a linguagem. O verbo desfiado em gomos de substantivos, para que só me restassem os sintagmas não verbais quando te quisesse aconchegar em qualquer coisa parecida com um gostar de ti.
Sobrou o entardecer que, sabendo eu te ter sido sempre indiferente, me deixava certo de que poderia tentar analisar uma linguagem corporal que te era característica. Com resquícios de uma solista num Lago dos Cisnes pintado a notas musicais sem cores, mas que mesmo assim servia para frisar o necessário de te querer ter.
Quando a noite chegar, e eu sentir que só sei pensar e escrever de uma forma monotematica sobre o evoluir da criação, deixando o resto para quem foi dotado de um pensar eficazmente aberto ao mundo, talvez me vá embora para nunca mais voltar.
Observava, entretanto, como as flores pareciam querer defender a dissertação do primado da indiferença, sobre o amor, em redor dos teus pés descalços e que lutavam por enraizar-se no cromático da Terra.


24.11.17

Sexta-feira, 18h18

desde o sonho desenhado a água,
à reviravolta que a Terra dá quando se apaixona,
passando por árvores a dançar nuas ao luar de Verão envolvidas num amor livre,
somos o que almejamos como fruto do passar dos anos,
 frisados a choro,
redito em felizes acasos do acordar vivo,
e tudo para começar de novo aos olhos cegos da criação,…

que um dia rebentará para não mais voltar…

29.12.11

Que se passa...


outros houve que quando aqui passaram,
disseram de nós o que sobre si próprios nem nunca tinham construído. Que seríamos paz.
Infrutíferas tentativas de fazer mal às pequenas coisas de quando o mundo gira.
negamo-lo agarrados ao pó que fica do tempo que passa.
amantizados com o resto do segundo, infrutiferamente em desespero com a respiração que escasseia no tóxico quarto em que queremos chorar,....tranquilos
,....longe do calor da suficiente paz do caminho para o fim da existência.....

27.12.11

Sem título (9)


sentados à beira
de uma estrada
que se dissolvia,
ser e pensar
analisavam-se
escrevendo,
o primeiro redigia um manuscrito de intenções sobre o amor,
enquanto o segundo influenciava o tempo a
sentir-se menos banal...

13.5.11

Reflectir

guardo a dor no pé mais
solto das conversas que
tenho com a fantasia,...

se me falo no meio destas
intransigências de desnorteado,
faço-o porque quero
criar transparências,...

coisas onde possa reflectir a percepção dos dias que encontro nos fòlegos
perdidos dos minutos
quentes,...

nos anseios incolores,..

sobretudo em tudo,
e no nada que é saber
que se sabe tudo,
sem concretamente passar do zero dos
choros da ignorância....

22.8.10

desnutridos e calvos precoces


quero mais que fogos amordaçados,
deixo presente a interrogação do
que o insuficiente dos dias me
faz à capacidade escassa de desenhar
planos alternativos,
sonhos de praça,
pesadelos de avenida,
rio-me sem saber da
cidade que tenho a
escorrer da ponta dos dedos
repletos de anátemas e pústulas
cheirosas,
reflexão finda, que
se siga a explicação
desta infinda redacção
aos desnutridos e
calvos precoces....


9.8.10

Sentia-se Maria


Sentia-se Maria. Não o fruto da indecisão dos pós da criação, mas o amor. O passar métrico dos segundos com tudo no sítio em precisão diíficl de descrever. Maria nos gestos, nas indecisões, até nas lágrimas que fecundam a terra em dias secos e de morte pintada nas esquinas. Somei-me naquele dia aos 'bonita', e aos 'fazia-te um filho', que de tão indecentes soavam mudos. Chamei-me deprimido. Calmo bocado da rotina que mata aos poucos. Mas fi-lo à minha maneira. A mão tapava-me a boca nervosa, porque sentia a minha voz de barreiras, não de contactos. Respondeu-me sem responder. Com passo ante passo, nervosamente à procura de um destino que se desfazia no respirar nervoso que se sobrepunha ao correr do sangue da cidade. Insisti. Queria a vida, disse. Arrisquei um toque. Dobrou-se sobre si. Temi pelo desnorte. Mas não. Foi do imobilismo que nasceu o suspiro. Murmurou dor. Percebi que já não queria ao outro, mas só ao que não se vê, mas só dói. Atraiu-me o enliar do vento por sobre o labirinto dos cabelos negros. Pareceu-me ter ouvido um quero-te, choroso e frio. Mas sem olhar. Só lamentos de tudo. Sem palavras, desnorteava por entre gestos subtilmente descontrolados. Olhares humedecidos por um arrependimento que queria morrer, mas parecia imortal.
Caminhámos. Sentia a terra por baixo dos pés a dizer-me o indecifrável. Desaguei com um rio de silêncios junto ao mar. Foi onde me sentia melhor que a minha pele se envenenou com uma sedosa declaração de amor. Humedecidos momentos de atrevimento traduziram-se num beijo. O pôr-do-sol abraçava o que parecíamos querer do resto da vida.

27.4.10

Zero


Serias mau, no intervalo das plumas da bondade. E o tempo, condescendente, actuava no silêncio das tuas indecisões. Pessoa irreflectida, chamavas-te. Acordavas assim, pleno de querer tudo, sabendo que conseguirás o nada só por respirar. Ninguém te chamava qualquer coisa. Personalizado, eras pouco. Mas resistias. Ansioliticamente escalpelizado ao pormenor nos minutos de vigília de cada noite, adormecias com o dia. E embalavas nas golfadas de suor com que lá fora o mundo girava, e o teu ser se afundava.
Indeciso, somos aquilo que queres que sejamos. Espectadores, que assinam em branco no ar que diligentemente poluis com conceitos estéreis de evolução....

22.4.10

Só que


Estou?

sim, mundo perto daqui,

de onde vim?,...

talvez do verbo,

digo-o com a substância

que interrogar contém,

e sem menores fontes

de desdita,...

sinto-me do ar,

das coisas leves e

imperfeitas que

se desprendem

da chuva,...

e do sol finito,

e das estrelas perenes que

morrem ao bafo

quente da nascença,...

sinto-me de tudo,

com o nada a embalar-me

em suspiros indefinidamente exactos...

21.4.10

Como encaro a crise mundial....


de passeios de cabeças baixas,
escreveram-se assim tormentos breves,
nem precisavas de sorte,
só prados,
campos para correr,
nuvens opacas que sustessem
o mundo em quedas ascendentes,
e cá em baixo o desânimo,
todas as pessoas enregeladas,
descritas e perecidas,
afectas à rocha enegrecida,
que se arrasta nos silêncios da criação,
façamos nossos os intervalos mudos
de bater nestas casas sem portas....

13.4.10

Já não está sol lá fora....:-(


Era uma mulher tão minuciosa, mas tão minuciosa, que desenhava a carvão o anoitecer, só para poder envolver-se mais tempo na luz que alimentava todo o seu desejo de notabilidade. Consta que morreu como nasceu. A sonhar a média luz....

5.6.09

Pedomedos ocultos

sentir boca feita
duna de céu
escarlate,
coma assim dourado,
disseste-o escrevendo?,
pisado acredita o rodar
desta pedra,
escreveste-o no tombado da
luz de um
dia de choros,
e com o fim cheio
de princípios assim.....

23.4.09

Parafernália


Custa um bom bocado ser assim. Com falta de bocados para ser-se qualquer coisa que ao todo, não deva menos que à parte. Ridículo. Subtraido de todas estas banalidades, nem sobra o suficiente para que aos olhos se abra o conhecimento que vale a pena. Por isso, sofre quem com isto pretende ser o que sendo, nem pouco mais ou menos se assemelha ao que pretendee nunca sequer chegar a existir.
Com sentido.
Sem provocações.
Incompleto sente-se quem escrevendo, deixa de sentir, para se protestar por pedaços melhores de razão.

14.3.09

Sombra


sombra, dizia-te para tornares o momento silício. daqueles componentes por detrás dos quais tu te poderias esconder, se a facilidade com que o tempo se desdobra em equívocos fosse, de facto, causa para chorares. deixaste-me a subtileza de esperar pelas facilidades todas do mundo, com o concílio de que aguardar pelo fácil, traz sempre uma minudência difícil de definir. sombra, foi assim o epitáfio desta coisa inebriante que construímos juntos. eu quis definir este poema que foi o nosso suspiro, e sem que me deixasses, tornei-o pó de limites indefiníveis de coisas podres....

1.3.09

Escriturando

Escreverás para o que pensas ser teu. Linhas são menos que pensamentos nessa dança de perspectivas que te entontecem mais que o inebriante desfilar de ensurdecedores gritos que é o amor. Escreves porque sim. Dizes que não, mas rediges uma afirmativa negação de seres negado à partida. Dirimes a tua própria essência, quando o que tens é nada menos que simples discussões do teu ser inculto. Criaste bem esse conto em que o sentido último das coisas, foi descreverem um mundo em que as coisas nem sequer têm sentido. Gostei do que deste a esse personagem inodoro. Agora volta ao mundo dos tempos que correm lestos e sem indecisões.

18.1.09

Plexo

O que escrevo fede, simplesmente porque não existe. Com ideias decrépitas, a somar a argumentos rasteiros. Com a descrição de realidades alternativas para meninos de chupeta. O amor empacotado, traduzido nos poemas debitados em surdina.
Como tudo isto são sinónimos de inviabilidades criativas. O mundo é uma laranja encarquilhada na ponta dos dedos com que destilam estas alarvidades. Em cada gomo duas formas de desgastar a realidade. A que aceita tréguas para não descomprimir o que se apreende. E a que sendo combativa, morre na praia, por falta de seiva argumentativa.

3.1.09

Aguado

Impressiona-me o que não saber escrever diz da vida de quem se agarra ao sonho de dominar o papel. Foi numa iluminação. O espasmo sem domínio que controlou a epiglote antes de a frase nem sequer saber a nada. Num flash de emoções com sabor a catarse, soube mal esta tentativa de deixar algo feito para que nem pena possam sentir de mim quando já cá não estiver. Esta frase sou eu composto de todas as mudanças que sempre conheci. O que faz cócegas quando um raciocínio, uma ideia, suplanta em altura o que somos em peso, são as penas de leveza. Sim, escrever porque sem isso, nem o não tomamos como adquirido. Não, pensar que com a escrita o mundo encolhe na inversa proporção da posição que o planeta tem sobre nós. Mas até pode ser que isto nem nos conceda habilidade para tocar na outra ponta de um simples conceito.

1.1.09

Inconclusivo


sento-me no chão. Pés de alma, contra alma de pés frios. Mãos de contador, com reflexos de que sonhei menos, por querer fazer mais sem saber escrever. Seguro o chão. Antes que a terra com a lactância a escorrer, me envolva com a sedução improvável. Cravei-me de torrões insuportáveis. Pés contra a alma. Insuportado pelo escuro de querer muito ao que nem conheço, tenho-me de mãos no mundo. Sou repositório de quereres racionais. Possível catalisador do que morto está, mas refundido renasce. Sinto o chão onde sentado me reconverto. Fundido com o núcleo da força bruta que molda o que pensamos do que nos rodeia e destrói.

29.12.08

Morte enpacotada

Esgravata-se tanto, que a terra chega a ser um laivo de poesia feita de lambadas. Os torrões do tal desmentido de vida cravam pus nas feridas inanimadas. O sopro de tal consequência, desfaz pruridos de inevitabilidades alcançadas quando o respirar dói, mas também faz feliz o simples arfar de perceber como o tempo perspassa a tarefa árdua de estar aqui.

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