"Ensinou-nos muito mais do que devíamos aprender, mas ensinou-nos acima de tudo que nenhum lugar da vida é mais triste do que uma cama vazia." (Crónica de uma morte anunciada, Gabriel Garcia Marquez)
13.4.18
13.1.10
Sem título (17)
25.4.09
Regresso III
Se toda a gente fizesse como eu, e achasse a vida assim tão displicente quando vista de esfíncter aberto,...não havia bebidas gaseificadas.
26.6.08
Mónico Leu o Whisky
Melena cor de chumbo,
pôpa, mulher, pôpa,...
e um pinguinho de condicionante,....
Saia com baínha,
que íman com ladaínha!!!
Nódoa, mulher, nódoa,
Transparente, em azul,...
Nódoa que joga na névoa,
com rimas de mau prestador,...
Serve-o, mulher, serve-o,...
Conselhos:
Pedra-pomes,
Pensos,
Gravilha,....
Joelho sofre,
carteira ganha,
honra?....
Como tremoços ao pequeno-almoço...
Nunca palmadinhas nas costas.....
15.4.08
A Lagarta

Caso a alma pese mesmo 21 gramas, Manolo vai matar-se. Assim como assim ele já não tem razões para viver. Perdeu o lugar de Pastor na Igreja, levou um tiro na barriga da perna direita, e começa a acreditar que o mundo não é quadrado. Sim, porque os ciganos avaliam tudo na perspectiva da linha recta até à curva, sempre em frente até ao entroncamento, e depois virar à esquerda. Manolo está farto. Quer saber a que sabe o interior da caixa de espinhos de um ouriço.
E não, nem pensar, de forma nenhuma, assumir como possível que as feiras devem fechar logo depois de almoço. Aliás, Manolo acredita que só quando dançar uma rumba melancólica, é que vai assistir ao renascimento do negócio tradicional cigano. Neste, ou no outro mundo.
Aquele peso no peito é que não o larga. É uma coisa farta, que enfarta, e que desgraça. No outro dia, Manolo estava sentado no banquinho de verga que todos os fins de semana encosta à banca,...Aqueles momentos em que é preciso recuperar o fôlego, e pensar no que fazer para o jantar. Num instante de segundo, quando passava os olhos cansados pela contracapa de um DVD, leu que a alma tem peso.
Vinte e uma gramas será, mais coisa menos coisa, o peso de uma lagarta. Daqueles bichos que se juntavam ao guisado que ele comia no acampamento, quando era catraio. Encarquilhadas e gosmentas, se calhar vivem a dormir durante a existência de uma pessoa. E, de um momento para o outro, entram pela boca do estômago e transformam-se em solitária. Caiu um dente a Manolo, e nasceu-lhe uma verruga no fundo das costas. Será porventura o animal a armar-se em esperto.
Liberta, a única ‘romani’ da história de olhos cinzentos, que só não foi deserdada porque dá uns ares a Satanás, diz-lhe que ele abusou dos torresmos. Manolo acredita, mas dá o desconto. Liberta é daquelas mulheres que se desfaz ao toque. Seca por fora, seca por dentro, e só apetece abri-la para ver se tem lagarta. Enfarta não saber se se é homem, ou se se é uma aberração. Deus parece ter sempre uma especialidade escondida na manga, e o cigano é a cobaia.
Diz que se se acender uma vela, e se espetar com ela no terreno lavrado de uma casa onde se tiver acabado de roubar duas cabeças de cavalos, o enfartamento passa. A lagarta morre, e tudo acaba.
Com um cigarro de palha numa mão, e um bordão na outra, Manolo desanima. Não é ladrão, por isso só morrendo é que vai saber quanto pesa a lagarta. Se tiver as tais 21 gramas, ainda poderá dar para Liberta adoçar o guisado que vai fazer a seguir ao funeral.
27.3.08
Bad morning blues
Ladra cão curioso,
Bale ovelha teimosa,...
Morde cão feroz,
Morre presa fácil,...
Bate homem que zela,
Foge cão coxo,...
Desfaz-se nuvem negra,
Corre homem nu,...
Pinta híbrido erecto,
Topa molhado fugitivo,...
E o sol nasce,...
Mundo a ouvir,
Voz nova de falsete....
7.3.08
O bairro do amor...
“Este amor que nos une é imenso, só comparável ao que devemos ao Banco, ao Sr. Do talho, a duas ou três empresas de concessão de crédito em vinte e quatro horas. Por ti deixei a casa da minha mãe em Marvila e nunca mais me recompus. Sinto falta da carne guisada da matriarca cozinhada na panela encardida e das vizinhas aos apupos pela manhã quando estendem as ceroulas dos respectivos. Por amor mudei de vida. De Marvila, fui para a Rinchoa e posso dizer que estacionei o meu carro com mais facilidade. A vida corre-me de feição”.
Por ela, o jovem trocou o Citroen dois cavalos, uma viatura típica de solteirão invertebrado, sedento de engatar miúdas do bairro desprevenidas e com eco na cabeça, por um confortável Renault 19 azul metalizado em bom estado de conservação tirando a panela de escape rota.Ela adora o carro, e é vê-la acenar quando passa pelas vizinhas que olham alertadas pelo ruído ensurdecedor da viatura familiar. Até já prometeu escrever um poema sobre a viatura, com enfoque nas fantasias eróticas que lhe desperta o tecido roto que cobre o banco traseiro do veículo.
À primeira vista, parece que os pequenos buracos, com meio centímetro de diâmetro, espalhados pelos dois metros quadrados de pano verde azeitona, deverão ter sido feitos com pontas de cigarro em brasa, quiçá apagadas na pele suada de uma jovem que perdeu a virgindade dentro daquele espaço apertado. Uma mancha de um vermelho sangue, timidamente perdida perto da porta traseira do lado esquerdo, permite traçar conclusões nesse sentido.Ele concorda com tudo. Até se a fantasia em causa, que ele pensa já ter percebido mas da qual compreendeu apenas a parte sexual, puder ser realizada, melhor ainda.Ela garantiu que se as coisas derem em casamento, o pai, um estivador com 152 quilos de peso, mas perto da idade da reforma, vai exigir o tradicional.
As coisas poderão ser resolvidas graças ao médico de família da freguesia, que em princípio estará na disposição de passar uma credencial a atestar que os três ainda estão no sítio onde devem estar.Mas, para já, isso são futuras núpcias. O matrimónio, ele respeita, até porque um homem tem de assentar algum dia. Só que isso, a vir, que venha num futuro distante. Para já, ele quer é arranjar uma câmara de filmar digital, e abrir o livro da criatividade. Aos fins-de-semana, na esquina da rua onde fica a sua nova casa, dois irmãos de bigodes fartos, e de persistentes roupas negras, vendem artigos electrónicos durante períodos de dez minutos, intervalados apenas pela chegada das autoridades policiais. No sábado que vem, ele já prometeu a si próprio que se irá levantar cedo, comprar a coisa mais baratinha que encontrar, e levar a rapariga para a Serra de Sintra.
Sempre quer saber se uma mulher ingénua, quando se abre, dá melhores close-ups do que as rameiras da esquina. Até pode ser que a cena toda dê um filme caseiro, com banda sonora do Cid, claro está….
2.3.08
Castro, ou a maneira complicada de dizer algo simples
Castro, o agonizado pedaço de matéria carbonizada, descansa como um átomo de paz encastrada na natureza em decadência. A suave brisa nubente, que traz consigo o pavor de noites enregeladas pelo desvario da solidão, esmaga um sorriso enevoado e basso que lhe pende no canto viciado da boca.
Castro é o pedaço mais franquiado da pesada herança mastectomizada da verve humana. Sua com laivos de despudor face à contingência de ablação do orgulho minimalista que lhe escorre da alma.
Uma música construtiva, em cadência de destruição de raciocínios, flutua monocórdica de um pequeno transístor que segura entre dois dedos. A lágrima mais crítica, a infundada razão de um final de vida em fogo fátuo, rola pela face carcomida de pessoa feia.
O odor da amizade perdida, perquire a personalidade de quem espera fundir-se com a inevitabilidade do carcinoma da natureza perspicaz. Um par de pupilas protuberantes fixa o horizonte, procurando respostas para a face negra do esvair de perspectivas.
Castro não é quem pensa. Disseram que a vida que sempre guardou em fusela empedernida, se esvaiu no maço do calcete da ignomínia. Traiu, e foi abjurado em público por criaturas embebidas numa animalidade onomatopeica. Castro vendeu a existência vicentina de servidor da causa desumanizada do ajudar o próximo, à tentação do apascentamento das almas suezes. Narinas abertas aos odores recalcitrantes da planície endeusada, e um novo ser se ergue com certezas inabaláveis.
Castro tinha sido traído por um abstergente pedaço de confiança calculada levianamente, e agora, rendido a assassinadas ondas de resignação, deixa a estiagem banhar-lhe uma garganta humedecida pela vergonha.
Castro decidiu. Venderá a alma minimalizada aos adventos do futuro predeterminado pela sorte. Vê-lo-emos a oscular os lóbulos enrijecidos de uma abstracta criatura de esquina. Castro onaniza-se, para uma ocupação de futuro mais pompeado.
Será traveca....
27.2.08
Almocreve
Escarrou um perceve,
A garganta suja do Almocreve,
Parido por uma mãe tinhosa,
De passagem pela Carpalhosa...
Recheado de pães mornos,
Aquecidos em velhos fornos,
Tresmalhava o avental,
Da moura quase intelectual...
Malvado a níveis técnicos,
Almocreve dos 'quês' hipotéticos,
Desgraçou a menina assoberbada,
Que almoçava quilos de rabada...
E o fim do mouro malandro,
Esvaiu-se em lamentos num calhandro,
Que o progenitor da petiz desonrada,
Assoberbou na criatura aluada...
21.2.08
Sem título (36)
Bolsa de baba.
Pessoa a enrolar,
Comiseração em bisnaga...
O Arcada a abater,
O cálice a chocalhar,
No colete a feder,
Vejo-te amargo, Fernando,
Cruza as pálpebras escaldantes,
E eu aqui acalentando...
Pessoa na falsa mensagem,
Fundaste um sentir,
E a palavra que dá fogagem..
19.1.08
Vivam os pombinhos!!!
11.1.08
Se John Rambo não tivesse aceitado regressar...
9.1.08
Prosa Quente...

5.1.08
Uma questão de tamanho
O estabelecimento era antiquado. Pouco mais de 80 volts conjunto de luz, pintavam de dourado adormecido paredes que já foram pretas, mas que hoje escapavam para um cinzento assustado. Quatro prateleiras brancas dispostas em quadrado, traçavam diagonais com uma caixa registadora geometricamente colocada no centro do estabelecimento, e onde se sentava o dono. Ruminâncias Poéticas...
Pústula friorenta na pele em chaga,É poesia,
Receio do mar, em dia de neve,
Pode ser poético,
Amo-te, só quando és homicida,
Sonetos garantidos,
Bêbedo conveniente, em dia de funeral,
Quadra popular,
Junta tudo num pote, deita leite,
Recorda os dois olhos bons do Luís Vaz,
E continua a tentar,
Ainda não és poeta,
Mas podes vir a ser...
4.1.08
Diálogo entre desconfiados II
Diálogo entre desconfiados I
1.1.08
O macaco
O macaco acha-se importante. Quem lhe der um dime, põe-no a debitar palavras ao ritmo de uma kalashnikov bem oleada. O macaco sabe andar. O macaco veste fatos Armani. Até é capaz de atrair a Florence Nightingale que há em si, e com certeza que também em mim. 27.12.07
Amores e Outros Horrores...

26.12.07
Arco-Íris, Inc.
O Branco é amigo do Preto. O Castanho está unido por ligações sentimentais ao primeiro, mas nada o liga ao segundo. O Azul tem tendências suicidas, e vê no Verde um refúgio de serenidade cada vez mais raro nos dias que correm.A importação de água de um mar cuja localização ainda não foi tornada pública, parece ser o ramo em que o azul melhor se movimenta. A personalidade densa que o caracteriza é, segundo os analistas, a adequada para uma correcta gestão da multinacional.Uma empresa de consultoria, fundada pelo amarelo, poderá ter sido contratada para atestar a veracidade destas constatações. Por trás deverá estar uma Oferta Pública de Aquisição feita pelo Ciano, que desesperadamente luta por se manter à tona de um negócio onde o Branco ainda dita regras.
O Ciano partilha o tom com o Lilás, e é considerado perigoso. Numa desordem alvejou a tiro o Branco, que por ter corrido perigo de vida, reforçou o seu estatuto neutral. O relatório de tendências no arco-íris aponta para um futuro menos denso. O esbatimento de funções é visto com desconfiança.
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maria, por equívoco, refugiada estava num quebrado mutismo,... sem parecer, nem contra senso perto de qualquer coisa arredondada, a...
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este personagem não vai falar português, de uma fome atroz de conhecimento, reconheco-lhe outras latitudes no olhar, e a ti, sem que lh...
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quisesse eu um resto assim, desnorteado de aconchego, e esperava aqui que os chapéus da noite se entortassem, para que a madrugada entr...









