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26.8.18

Medo de um sonhador

a querer cidades,
frases soltas de um rio,
o da aldeia escrito no menor resoluto fim de um discurso,
era o sonhador a quem temiamos,
deixar de ter medo parecia agora fácil com o vento assim agrilhoado,...

estava vestido com nuvens até aos pés,
e na cabeça era com os cabelos cor de douro que cobria as ideias,
as mesmas que perdia pelo chão a cada passo conciliador,...

decidiu chamar sonhador aos restos facilitados de mar que lhe sobraram,
sem nunca entender o medo dos conformados pelo que difundia


14.8.18

Os sonhos não sabem desenhar

Diziam-me dos sonhos que eles não podiam desenhar. Só se sabiam exprimir por gestos limitados, quase como se fossem crianças a aprender a agarrar o mundo quando o mundo ainda nem sequer se apercebeu delas. E escolhi entendê-los, aos sonhos, como sempre percebi as estrelas:
como pequenos picotados que as pessoas que dormem acordadas destacam, e levam para casa para mergulhar em soluções de água com açúcar, fazendo-as florescer em filhos e filhas. Ou por outras palavras, garantes de imortalidade teórica.
Isto já aconteceu há uns anos, esta forma de ver o real. A vida passou por mim quase como se nada disto contasse para nada. Nunca o partilhei com ninguém. Tive filhos a nascer nas cozinhas que fui tendo, quase como botões de rosa que aparecem na primavera já com a educação assegurada, e morrem primeiro que nós sem que nós nos apercebamos de que eles são, na realidade, livros que nós lemos e optamos por deixar a meio para que outros, mais tarde, encontrem a maneira segura de se sentirem felizes com os finais incertos que dali surgem.
Enquanto escrevo isto sinto o meu corpo a definhar. Durmo pouco, como só o pão de todos os dias que sempre conheci. Leio nada mais que as caras das pessoas, todas as manhãs, quando propositadamente deslizo como o vento por entre tudo só para ver que nunca me enganei nas idiossincrasias empacotadas que me convenceram do fim dos tempos ainda antes que se saiba que ele vai chegar.
Mas de uma coisa continuo convencido: os sonhos não sabem desenhar. Refletir, talvez...


13.8.18

Anatomia

parecia estranho que o tecido das coisas fosse de água,
tanto que naquela noite não conheci ninguém feito de nervo,
correr de sangue,
e perspetiva de morte,...

só o equívoco da solidão num pudim de versos vulgares,
sem que dos mesmos pudesse alguma vez haver sentido,
e apenas a perfeição talhada em cruz por conta de cada vida que se tirava a um deprimido,...

sei que comi ene estrelas ao aquecer da madrugada,
sem me sentir menos que a qualquer coisa que o big bang ia deixando deste lado,
sem saber ler




22.7.18

numa estrada escura e sem destino

numa estrada escura e sem destino,
havia duas maneiras de rasgar o céu,
em nenhuma delas se conseguiu trazer de volta as pessoas,
só as árvores ficaram a dançar com esquadria,
arrastadas pelo devaneio sem explicação do vento,...

a cada amanhecer o planeta encolhia sem qualquer sinal de vida racional,
até que tudo terminou num clarão sem cor,
que trouxe de volta as pessoas,
mas já não havia planeta para viver

18.7.18

Despedi da

sei do vento
despido na manhã
suja dos últimos
dias do adeus,
com a frase
irremediável escrita
no verde de todas
as rotinas,
dei para a
tua última
impressão
do real,...

chamavas todas as
coisas do azul
incompreendido,
balbuciando o amor
como perdido,
e a redução do tempo
para o fim como a
maior indefinição
ainda por beijar,...

passo a passo
industriámos a forma
única de,
Indiscutivelmente,
deixarmos o silêncio
para trás neste
reduto de gritos estridentes,...

para tudo acabar
na demora da
chuva que limpa
a roupa suja de mal

17.7.18

Conto de fim de Verão

naquela tarde de verão tudo seguia para o fim que tinha de ser,
havia carne a apodrecer no estertor dos falhados,
osso a osso o conformismo montava a praça no abismo das cores vãs,...

sonhei com os cavalos que caçados pelo tempo,
arredondavam a espera pelo fim andando em roda,
sem fim de coisas aparentes,...

e quando já era o silêncio a fazer de pele das pessoas,
o outono veio a fazer da velha mais velha,
tão velha que a mulher coerência daquele lugar,
remoeu a vontade de ser consciente,
e adormeceu para sempre nos colos dos honestos


14.5.18

Tale of one kingdom

o rei foi visto a nadar para trás,
o povo achou mal e pensou em
acabar com insultos desnorteados,
quando havia pessoas a morrer de fome,
e crianças que não tinham sequer um
livro para pousar os dedos,...

no dia seguinte o sol foi puxado para baixo,
e a lua cosida ao céu para que ao
luar as coisas mudassem,
mas o rei estava colado ao trono,
dizia que era dono dos sonhos das pessoas,
e por isso recusava-se a sair,...

o povo mudou de ideias,
juntou-se no maior terreiro do reino,
e decidiu partir,
achou outro país,
sem rei, sem dono,
sem sol, e sem lua,..

e criou uma coisa chamada poder
das decisões coletivas,
no dia seguinte já havia livros
para as crianças sonharem


16.3.18

E restou o verbo

Eram pessoas desnudadas mas que sempre regressavam,
Ao único sítio onde se sentiam bem,
Uma casa sem teto,
Sem janelas,
Com os nomes de todas as decisões mal tomadas da história escritos a vermelho sangue,...

Só lá o tempo parecia fluir como um carreiro de formigas,
Os homens podiam sentar-se com a consciência ao nível do sexo,
Tal como sempre mandou a criação,
E as mulheres contemplavam as nuvens bordadas no céu cinzento,
Que exalava o perfume enganador da morte escondida,...

A criação acabou neste sítio,
O mundo foi engolido pela raiva da sua estrela,
A linha tempo-espaço fundiu-se com a matéria negra do universo,
E restou o verbo,...

Com a promessa vã de nova conjugação


4.3.18

Mãos dos sonâmbulos

Estas são as mãos dos sonâmbulos,
nunca serão as nossas,
Servem para esgravatar o mundo
Dos traços por completar,
Das ideias que morrem antes do
Último velho do mundo,...

São mãos de tiros de pólvora seca,
As nossas matam só com um
Espasmo muscular,
Estas são mãos de entardecer,
Que desenham na chuva os lamentos surdos do estio,...

Gosto destas mãos,
Se tambem gostas,

Não me acordes....


27.1.18

Come amor para não morrer


Desdisseste-me naquela tarde de cinza

feita, o sol lamuriava num rendilhado

sem cor a imortalidade a que está votado, e

a terra escoava-se em desilusões aguadas com a chuva

de memória escorrida do céu,…

 

afirmavas o mundo, os sonhos de cócoras

como remédio para os males de crescer

transparente na alma, …

 

eu ensinei-te a escrever no céu com os

dedos da alma,

é fácil vês,

disse apontando

para o coração das árvores que namoravam

a estrada gasta que serpenteava todas aquelas

ruas sem número,

para no fim vir o início do sonho, era azul

sem cor, e surgiu na pele adocicada do cachorro

mais vagabundo que come amor para não morrer…


24.12.17

Post christmas something...

Não me dizes o mar,
Nem as pérolas de coração que as ondas partem na areia quando,
Enfurecidas,
Revoltam o lento trotar da evolução,...

Só com o tempo num sorriso que pede desculpas,
Dizes ser o vento que o planeta deixa cair quando chora,...

Que não acreditas na bondade irrefletida do homem,
Apenas na placidez das guerras que são o livre arbítrio do big bang,
A negação de uma criação divina,...

Noite após noite quis sorver o que de mau de ti ficava,
Para tornando sempre ao ponto de partida, 
Me tornar escritor de coisa nenhuma ....

27.10.17

Cósmico dia a dia

De montes feitos chuva do sol escorrido do céu,
Pastores rasos e ovelhas homem,
O destino são traços rasurados num poema,
Admiro a face nua do tempo que passa assim,
Pessoas simples factos mil,
E escreve se um povo,
E descrevem se mortes,
Legiões inteiras de pais que não
Beijaram o sucesso dos filhos,
Homens que cresceram sem a sombra protetora,
E no fim a calma de saber,
Que a explosão da criação se reverterá no dia em que o céu for autofagico

5.9.17

Se de hoje a mil milhões de anos....

Se de hoje a mil milhões de anos eu ainda estiver aqui sentado à tua espera,
Não me irás ver mais,
A tua memória ficará no éter do que o universo for na altura, 
Eu serei pó,
O resto do que foi a experiência de te ter sorrindo,
Capaz de me desfazer no mais pequeno átomo de felicidade,
Que com a explosão das coisas reais me devolvia à infelicidade da felicidade desenhada,...

Se de hoje a mil milhões de anos eu ainda aqui estiver sentado á tua espera,
Olha em frente e verás que estás a um segundo de não me largares na infinidade do para sempre...


Resultado de imagem para futuro

9.1.09

O mundo dos pobres de espírito

Nem doce com sentido crítico, nem flores. Só uma rua encafoada naquele mundo de jasmim, com pessoas pequeninas e desenvencilhadas de momentos profundamente desesperantes. O tempo era desfiado cuidadosamente na esquina mais velha daquele sítio. Com os despojos, crianças faziam brincos de sol, e com eles chamavam a morte. Dançando sobrelevados em poças de chuva, arranhavam os próprios espíritos, que se auto-infectavam até à gangrena. Nunca como agora, o círculo do vício esteve próximo de tocar o senso comum de quem vivia para respirar, e respirava para dificultar a morte.

8.1.09

Esperançoso

faz lá o que sabes
com a razão podre que
vendes,
isso,
diz mal do mundo lactente,
o que já cheira mal,
com as coisas a dormirem
nos intervalos dos
argumentos pobres
dos inergúmenos,

preciso de mais precisas descrições
do que ainda ninguém percebeu de ti,
ver-te a fazer meneios
doces de ironia,
e brincos ímpares com
retalhos do crepitar do fogo,
do expoente explosivo de ti....

faças mesmo o que sabes,
eu desenhado,
nem explicado sou
melhor que o que desejas...

3.1.09

Armagedão aos poucochinhos

não sei o que se passou,
mas foi um tempo que se
apressou a fazer de segundos
os terceiros pontos de discórdia,....

era febril o estado
em que ficavam as sombras
atropeladas,
e o chão derretia
por sobre o que se
prometia,
por entre as mãos placadas
com o aço da chuva de
néons de desilusão,....

descrito o que se
entretia a puxar o
mundo de sítio,
passemos a remediar
problemas que já
se adivinhavam.....

19.11.08

Feérico desnível

fruto do apaziguamento da criança que ruge,
levantaram-se do chão as dúvidas de um homem classificado,....

ordenaram-se princípios de racionalidade por cores mortiças,
e o sonho descarnou,
infectou,
desnutriu,...

sonora paz,
distinto sentir,
foi um tumulto dos roídos de espírito que
polvilham o núcleo do planeta,...

o dia ressuscitou depois de um longo arroto de todos os capitéis dos monumentos que contam,...

cláusulas postas em chaga porque o homem,
recusa esmagar as insensibilidades deste pedregulho.....

28.9.08

Alegoria do Fado



tua boca meu declínio,
quando o dia avança-se
e a noite gorjeia súbditos
de sociedades desiguais,...

vejo-te parcimónia de novos intentos,
como que um dia incompleto,
relógio que morre e vive
em azul de mar em eutanásia,....

se fores criação defenestrada,
psicose de novelos de lã,
espero trejeitos invisíveis,
da mão pequena e suja
que embala gritos,
desfaz pesadelos,
e te tira a pele de fado
de que foges....

12.4.08

Setas de porcelana


Queres olhos de remediar,
Para que eu queira setas de porcelana,
Fruir-te em riacho,
Com pirilampos a luzir,
Que descamam olhos que querem bem,

Um simples estás a chover,
Serviria para me deixar bem,
Sem que o mundo frivolizasse de vez,

Um olhar acalentado,
Tipo nuvem,
Coisa corredia de fim da Primavera,

Evitava olhares de remédio,
E massacres

Sem que eu quisesse,
setas de porcelana...

20.3.08

Gewagte Rose


Ao quereres vasculhar
o meu silêncio, vem de comboio,
Serás a velhinha que
procura abrigo junto do maquinista,
Em privilégio de sentidos,
Renasces em raio de luz,
Animarás o entardecer
rumo ao horizonte da felicidade,
Em simples troca de sentimentos,
fico a perder face à tua tranquilidade,
Brota em energia vulcânica
quando te envolvo com um olhar,
Procura no meu silêncio a chave
para o enigma da felicidade bicéfala,
Tranquilo anoitecer de fruição....

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