1.7.18

To be continued...

Estava surrealmente desligado de tudo, quando à beira de passar aquela estrada acordou-me o besouro irritante de tal desconcertada traquitana. Tinha rodas da cor do cascalho que banha o cimento acabado de assentar, uma porta, a traseira esquerda, cortada ao meio quase como se fosse uma lata de sardinhas em conserva. Parecia que falava, aos soluços, quando galgava metros à velocidade de um cão rezinga que palmilha restolho em busca de qualquer coisita para lhe atiçar o ladrar. Lá dentro, meio escondido no meio de estofos com molas penduradas, e uma pequena amostra de virgem de Fátima pendurada no retrovisor acastanhado, uma velha, dos seus setenta e quê, media a estrada de cara franzida. Olhos com dois vaga-lumes presos lá dentro, nariz de dúvida ou ponto de interrogação, é a mesma coisa. Parou-me rés ves à biqueira das botas cardadas, que ainda vinham ruçadas de mais um dia na estiva que nem devia vir a ser pago.
Não lhe queria falar. Tinha tanta vontade de o fazer como de ouvir uma algarviada daquelas de baile de paróquia, vomitada por um megafone de tantas cores que, na realidade, já não tem mesmo é cor nenhuma.
Mas a velha desafiou-me. A porta do lado do condutor daquele chavelho desengonçado nem abria, e ela teve de fincar as mãos na napa dos assentos, e sair pelo lado do pendura.
Mal pôs os pés cá fora, começou a cacimbar. Detesto chuva, sobre forma de bátega, de molha parvos, ou seja do que for...

2 comentários:

Blog Dezoito disse...

O que comentar? Simplesmente maravilhoso! Por favor, continue!

Abraço!

Porventura escrevo disse...

Obrigado pela visita
:)

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